Wednesday, October 18, 2017

Hoje eu precisava muito
Que o tempo parasse
Que a vida esperasse
Que sempre fosse um momento

Hoje eu tudo seria
Batida de coração
Teto e espera
Nada

Só que a vida não quer saber dessas minhas estranhezas

Há pessoas a decepcionar
E promessas a quebrar
Quilômetros e mais quilômetros
Antes, depois e


Eu suponho.

Sunday, October 01, 2017

DE RISOS HISTÉRICOS E OUTRAS ALEGORIAS

(A Milos Forman)
Cansaço de mundo inteiro 
E não há final feliz
Não mais exatamente Kafka
Nem Sísifo
Apenas um pianista e
Seu talento para
Compor a própria morte
Sonhando ganhar a vida.

MANIFESTO

Manifesto
Não tem mordaça pra calar tanta voz!
Nem fuzil pra matar tanto sonho!
Ninguém vai transformar em ódio nosso amor!
Bora botar o bloco na rua
Mostrar que o pulso ainda pulsa
E desafinar o coro dos contentes
Bora fazer declaração de amor
Romântica, sem procurar a justa forma.
Bora gritar bem alto que o preço do feijão não cabe no poema.
Bora decretar
Que agora vale a verdade
Agora vale a vida
E pensamos revoar os homens
Usando borboletas
Bora amar
Que amar se aprende amando
E a arte existe
Porque a vida
A vida é tão rara
Porque a vida
A vida não basta
Bora, que chegou a hora
De plantar suculentos morangos de lótus
No lodo mofado dos coturnos
que seguem
Sua marcha insana
Bora!
(Lucilaine Reis e Ricardo De Almeida)
Ontem
Tua boca
Soprou alma
Em minha boca
E o que era
Morte certa
Se contorceu
Em espasmo vital

Ontem
Nossas línguas
Falaram
A mesma língua
No encontro crioulo
De línguas diferentes

Ontem
No breve instante
E novamente
O infinito se afirmou
No desejo de desejar

Ontem
O mundo
Foi tua boca
E minha boca
Um momento

E as duas fizeram o tempo
Descarrilar

Ontem
Hoje
Amanhã
É
Não é
É


(Para Lucilaine Reis)

Friday, February 24, 2017

DEUS ME LIVRE

Em nome do Pai,
do filho e do
Espírito Santo,
Eu tomo refúgio no Buda,
Eu tomo refúgio no Dharma,
Eu tomo refúgio na sanga.
Atotô, Obaluaiê.

Deus me livre de ter só razão.
Deus me livre do peso da tua mão
na minha mão que pesa.
Deus nos livre,
daqui até a posteridade,
de toda e qualquer
teologia da prosperidade.
Deus nos proteja dos monstros
ora gestados
nos velhos ventres
de velhas dualidades.
Deus nos liberte da rigidez
cadavérica das identidades.
E nos permita ver para além
dos ventos das nossas ações,
o nosso brilho
no brilho de cada outro
olhar.

Atotô
Amém
Saravá
Aleluia
Namastê

Friday, February 17, 2017

SÉRIES

Não,
Não estou como todo mundo
Assistindo por hoje às séries.
Todos os desenhos, filmes e séries
Do universo
Já habitaram minhalma
E eu não soube o que fazer com eles.

Hoje,
Revejo caminhos e sonhos
Que não são mais os mesmos
Sob as lentes cansadas
Desse velho menino.

E não,
Não quero mais assistir às séries
Não quero mais
Pelo menos hoje não.

Friday, June 27, 2014

BIANTE

Eu te amo assim como um velho
Cauteloso
Como quem devesse um dia odiar

Eu te odeio assim como um velho
Receoso
De que um dia devesse te amar

Eu vivo assim como um velho
Temeroso
De que cada esquina escondesse o final

Como um velho,
Como quem devesse viver,
Comedidamente,
O amor,
O ódio e
A morte

Tuesday, April 22, 2014

CONFORME O DIA

Hoje eu vou
Conforme for

Thursday, April 03, 2014

Dá o Pé de Cachimbo (Carrolliana 1)

Hoje é domingo
Pé de cachimbo
O cachimbo é de louro
Currupaco papaco

Saturday, May 18, 2013

AMBIGUIDADE

não sou feliz
apenas
faço poemas

Friday, January 11, 2013

SACRIOFÍCIO

A arte também morre, meu bom
Que é da tal restauração
E sua dicção pomposa?
Que é do ponto parnaso
E seus sonetos alexandrinos?

A arte também morre, meu bem
Que é de tantos gregos
E outros tantos troianos?
Que é de tantas peças
E tantos louros láureos?

A arte também morre, neném
Tudo morre, tudo morre.
Só o amor é que não!

Wednesday, August 01, 2012

Nam- Myoho-Rengue-Kyo

Tantas vidas
Em um dia
Em uma vida

Sunday, May 06, 2012

DESVIO

insubordinação
crime
loucura
imaturidade
ignorância
alteridade
CRIATIVIDADE

Wednesday, April 04, 2012

2001, SÉCULO XIX

Olhares transparentes
Janelas límpidas da alma
Corpo que não mente
Corpo é mente

Saturday, March 03, 2012

DA ARTE

Não é porque o pão faz falta
Que asas não hão de fazer

Não é porque o corpo doi
Que alma não há de doer

Não é porque a pele é quente
Que o coração não há de ser

Não é porque o pão é necessário
Que asas não hão de ser

Saturday, February 25, 2012

NOTA DE RODAPÉ

a palavra inventada
não se olham os dentes

Monday, February 20, 2012

LETRA DE MÚSICA

Agora que tá tudo bem
Agora que cê tá de boa
Agora que já respiramos
Agora que a vida é
E não é
À toa

Temo perder seus olhos
Temo perder o encanto

Agora os filhos todos sãos
Agora os erros serão nossos?
Agora que a cama é macia
Agora que a cabeça está
Mas não é
Vazia

Temo perder seus olhos
Temo perder o encanto
Temo perder a hora
E o tom do teu
Encontro
Agora

Sunday, February 12, 2012

FOLIA VORAZ

A dança que me devora
É ainda e sempre a de Isadora

Sunday, July 11, 2010

UM CÉU TAMANHO

Outra vez
A estrada sinuosa do coração explode
Feito lua cheia dentro de balão
De um São João sem junho

Outra vez
A palma cobre
Órbitas marítimas
De tantas linhas

Outra vez
E outra vez

Até que

Saturday, July 03, 2010

ROCK AND ROLL

Eu canto
Por que motivo existe
Apaixonado e vingativo
Sou poeta

Eu canto
Porque o inimigo
Agora é parte de mim
Meu caleidoscópio

Eu canto
Porque ainda me resta
Uma festa a dançar
Sou de Olinda

Eu canto
Por que canto que encontro
Outro canto no meu
Claro e evidente

Eu canto
Porque ainda há espaço
Tempo e corpo
Sou poeta