Tuesday, April 15, 2008

Necromancia

Quantas vezes desisti
Outras tantas ressuscitei
Quantas vezes morto-vivo
Em busca de sangue

Tantas vezes eu menti
Quantas tantas renunciei
Tantas vezes insinuei olhares
Em um ante-anti-gozo

Desassossego quieto que
Mora me mim
Gritos que habitam meu olhar
Raramente minha garganta

Esta é plena de pássaros
Melodiosos
Vez por outra desafinados
Com o bico tinto de carmim

2 comments:

Adrielly Soares said...

"Gritos que habitam meu olhar
Raramente minha garganta."

Tanta vontade de gritar um monte de coisas que insisto em mostrar no olhar, mas se eu disser não vão me entender mesmo.
Vontade de se fazer entender sem ser explícita.

Gosto dos teus escritos.
E fico imensamente lisongeada com seus elogios.
:)

Volte sempre, tanto no meu, quanto no seu blog.
Beijos

Fernanda said...

Uma poesia ensanguentada e bem viva pra escancarar aquilo que a garganta não ousa dizer, ou aguarda o momento certo de dizer.
Beijos!