Saturday, October 07, 2006

Ainda Torto

Escrevo-me e reescrevo-me
em cada verso que sangra surdo
dentro de mim
ou brota líquido do meu olhar
Um poeta não se faz com versos

É o risco de se desconstruir
e reinventar a cada salto
no escuro e sem rede

Pois sobre viver e sobre escrever
de cachorros vivos ou mortos
mais vale a mais valia da ironia

Poesia, vida
Ao que parece não há

Onde a saída?
Pra mim chega!

5 comments:

Anonymous said...

"A distância que tomamos do mundo é a mesma que nos aproxima de nós mesmos". Foi o que aconteceu comigo...
Mas, meu coração transbordou de vontade de rever pessoas e lugares queridos.
Então, vim matar saudade...
Deixo um beijo.

Míriam Monteiro - http://migram.blog.uol.com.br

Luciane said...

É bonito ve como entre linhas tortas, na descontrução dos versos
sempre sobra espaço para esperança! Parabéns poeta!
Lu

alcebíades said...

Torquato neto foi/é: um poeta torto em linha reta.

reconheço ele em seus disfarces no belo "ainda torto". parabéns pelo belo poema, poeta, "poetemos pois", abração, torto.

Ricardo Almeida said...

Se eu pudesse escolher um "santo padroeiro" escolheria o anjo torto.
Poetemos pois, Alcebíades.
Forte abraço e obrigado pela visita e pelo comentário.

alcebíades said...

"alô poeta, poesia", todo dia, a agonia berrar, os bois e os poetas.
valeu, ricardo, estou adorando seu blog, suas poesias, abração, poeta.