Saturday, December 25, 2004

Em Terra de Cego

A minha visão das coisas
É irremediavelmente tortuosa
Defeituosa
Desviante crônica

Minha lente sem foco
Oscila sempre
Irremediavelmente
Entre o querer ser e o dever ser

E ainda assim me julgam poeta
Só por escrever versinhos sorridentes
Incompreensíveis para uns
Irrelevantes para outros

Minha face monstruosa
Não é de poeta
É monstruosa apenas
E a dor de minh'alma

Não é dor de artista
É dor de alma pequena

8 comments:

Leila said...

Os caminhos tortuosos nos assombram em visões tortuosas, desfocadas. Longe de sermos inteiros em atitudes, ensaiamos migalhas ao nosso solo jogadas...Não importa, pois não acredito em almas que carregam dores de caminhos, intituladas pequenas.
Beijo, Ricardo.

Anonymous said...

Sabe, poeta, às vezes dá vontade de abraçar suas palavras...

Um beijo,
margarida

Anonymous said...

Olá Ricardo, poeta que é poeta forra a casa com lágrimas e suor, amarra-se às palavras, morre pelas e por elas. Acho que és um poeta, não importa se compreenda ou não o que escreves, importa saber que estás para eu te ler e para abraçar as palavras com o olhar e com o sonho.
O Meu Natal foi show, liiiiiindo, liiiiindo! Resta-nos embalar o Ano Novo que chega, com carinho, alegria e amor p/ que ele cresça feliz e faça todos felizes tb.
Um doce beijo e tim tim à felicidade.

Anonymous said...

O comentário anterior é meu ---Anne. Rsrs. Bjus.

Anonymous said...

Não desisti, não, companheiro.
Tem coisa nova lá em casa.
Marcos
www.poetrando.weblogger.com.br

Neysi said...

Sem inspiração nenhuma para comentar, mas adorei o poema-rs
Beijo
Neysi


Ano-Novo
Ferreira Gullar

Meia noite. Fim
de um ano, início
de outro. Olho o céu:
nenhum indício.

Olha o céu:
o abismo vence o
olhar. O mesmo
espantoso silêncio

da Via-Láctea feito
um ectoplasma
sobre a minha cabeça:
nada ali indica
que um ano novo começa.

E não começa
nem no céu nem no chão
do planeta:
começa no coração.

Começa como a esperança
de vida melhor
que entre os astros
não se escuta
nem se vê
nem pode haver:
que isso é coisa de homem
esse bicho
estelar
que sonha
(e luta)

Ferreira Gullar

Mylle said...

dor de alma pequena?
"tudo vale a pena se a alma não é pequena"
adorei o poema
e feliz 2005 pra vc! =)

Liza Leal said...

Minha lente sem foco
Oscila sempre
Irremediavelmente
Entre o querer ser e o dever ser

.

"O foco de minha visão
Se amplia e flutua
Navegando em letras
Com sua grande Alma"

bj
da Liza