Thursday, July 17, 2008

Janelas
Castanhas
Há tanto
Tanto tempo

Janelas
Abertas
A tanto
Tanto verde

Janelas
Saudade
De tantas
Possibilidades

Janelas
Fechadas
Agora
Pra mim

Tuesday, June 24, 2008

EVOÉ!

Lennon & McCartney
Paulinho da Viola
Tardes de sábado
Papos, cores e sons

Filmes de Woody Allen
Anos Incríveis, Coppola
Chopps amarelinhos
Laços e Porcos com Asas

Circos voadores, celsos e lobos
E o tempo em que eu acreditava
Carmos, marias e cláudias
E Caio Fernando Abreu

Aulas e beijos roubados
Stratford-Upon-Avon
Milagres em que só eu acredito
E o teu sorriso perfeito

E tudo o que eu não digo
Por carência de papel e memória
Cirandas na Costa Verde
E o gosto do teu abraço

A ser continuado...

Wednesday, June 04, 2008

No Ventre da Aranha

Que rede esta em que agora me percebo?
Anti-útero
Onde buscava abrigo

Irresistível

E em meu vôo matei tantos seres
Só pra chegar
Ali onde tudo mudaria

Quieto espero os meses
Nutrindo o que me desfaz
Decompondo-me em lenta gestação

Onde a buceta que me faria de novo menino?
Não há, meu Deus,
Não há!

Monday, June 02, 2008

Canção Familiar

Todo homem é uma puta
Toda mulher canalha
E é bom que seja assim
Crescei e multiplicai-vos

Todo gozo é uma lágrima
Toda dor tem seu gemido
E há limites, meu Deus, limites!
Bem-aventurados os medíocres

Bem-aventurados os que cultivam
Essa felicidade meia-boca
Cerebral

Esse apagamento (apartamento?) de tantos desvios
Essa história reescrita
Com seus mortos no armário

Bem-aventurada seja sua consciência tranqüila
E a suprema alegria
De uma TV sonolenta em tantos longos domingos

Saturday, May 17, 2008

TODOS OS ERROS DO MUNDO

Erre esse e sei lá mais o quê
Meu amor
Eu gostava tanto de você

Saturday, May 10, 2008

Sobre Heróis e Tumbas

Vamos passear no cemitério
Meu amor
Que o dia está lindo
E há tempo a perder

Vamos sentar junto às lápides
Declamar Jim Morrison
Rimbaud e Baudelaire

Vamos fazer pose
E pontificar
Até não mais poder

Que o dia está lindo
E a vida é nada
E há que matar o tempo
Além da TV

Vamos passear no cemitério
Meu amor

Monday, May 05, 2008

ENOUGH IS ENOUGH

Não sei muito
Sei que amo

Tudo o mais é irrelevante
Mesmo a quem amo
Ou se sou amado

Sei que amo
E isso basta

Sunday, May 04, 2008

Futuro

Do que precisas, meu nobre amigo
É do futuro

No passado, já erraste e acertaste demais
Do que precisas, meu nobre amigo
É do futuro

É hora de acertar e errar outra vez
Futuro, futuro

O presente não existe
Intangível
Entre o segundo que se foi
E a expectativa logo frustrada

Futuro, futuro

Do que precisas, meu nobre amigo
É do futuro

Monday, April 28, 2008

Perdas & Danos

A dor de ter perder
Só não é maior que a dor
De me ter perdido

Friday, April 25, 2008

Infantaria

Lá está o regimento de infantaria
Crianças brincando de soldado
Como convém a infantes

Aqui fora o mundo as espera
Sem final feliz

Saturday, April 19, 2008

Sonata para um Homem Bom

(para um grande amigo)

Homens bons são de carne e osso
Também mentem
Também traem
São capazes de atos mesquinhos
E até de inveja

Mas homens bons são bons
Porque generosos
Capazes de enxergar para além de si mesmos
E do ódio
Que por vezes os toma

Homens bons choram no cinema
E sonham
Acima de tudo, sonham
Sonhos de paz
Para além do próprio umbigo

Tuesday, April 15, 2008

Necromancia

Quantas vezes desisti
Outras tantas ressuscitei
Quantas vezes morto-vivo
Em busca de sangue

Tantas vezes eu menti
Quantas tantas renunciei
Tantas vezes insinuei olhares
Em um ante-anti-gozo

Desassossego quieto que
Mora me mim
Gritos que habitam meu olhar
Raramente minha garganta

Esta é plena de pássaros
Melodiosos
Vez por outra desafinados
Com o bico tinto de carmim

Wednesday, April 02, 2008

Portador de Necessidades Espaciais

Se me faltam asas
Me sobra desejo
Se me faltam foguetes
Me sobra tesão

Delírios
Sonhos lindos
Sonhos tortos
Sonhos

Lá vai minha cabeça flutuando rumo ao Sol

Sunday, March 30, 2008

Dia Indeciso

Ê diazinho indeciso
Feito as cordas do meu coração
Ora oitava acima sol alto
Ora a chuva de um mi bordão

Ê coração esquisito
Feito as cordas do meu violão
Insatisfeito com tudo e com todos
Sempre torto de tanta paixão

Da janela da bela cidade
Hospital, cemitério e
Contramão

Da casa que agora é minha
Saudades futuras
De nova ilusão

Tuesday, March 18, 2008

ATÉ A MANHÃ

Deus abençoe os que apostam
Os que arriscam
Os que magoam sem querer magoar
Os que amam demais

Deus abençoe toda malícia inocente
E a ausência de maldade
Toda vontade
Todo desejo

Deus abençoe os que não guardam rancor
E guarde os que tentam
Entender quem não são
Pois deles é a Lua que o amor acende

Wednesday, February 20, 2008

Dias Bipolares

Agora que você descobriu
Que ser feliz não é fácil
Eu desejo a você um amor assim
Real e etéreo
De dias felizes e outros nem tanto
Porque agora você descobriu
Que ser feliz não é fácil
E a vida escorre pelo canto da boca

Sunday, January 13, 2008

Texting

Não é fobia de altura
É a atração do abismo
Estou no meu elemento
A tempestade é o meu elemento
E aqui eu sou feliz

Não é medo da morte
É o tesão do risco
A perda é sina de quem ama
E só assim eu sou
Feliz por ter sido

Não é a certeza da solidão
É a leveza da esperança
E todas as suas toneladas

Wednesday, January 09, 2008

Onde

Em dias como hoje
Caras como eu
Queriam nem ter nascido

Em dias como hoje
Caras como eu
Tentam não escrever
Poemas confessionais

Em dias como hoje
Caras como eu
Queriam ainda
Poder te ligar

Em dias como hoje
Caras como eu
Já não sabem mais

Dias como hoje,
Caras como eu...

Tuesday, January 01, 2008

Friday, November 23, 2007

A QUE SERÁ QUE SE DESTINA?

Entre mortos e os que ainda virão
Existimos
Criamos passados e os projetamos
No futuro

A que será que se destinam?
Nossas pequenas vidas
Com suas pequenas tragédias e
Pequenos milagres
Com sua mediocridade patética
E seus momentos de plenitude

A que será que se destina?
Eu ter amado tanto
Errado tanto
Sofrido e feito sofrer

A que se destinam?
Boas e más intenções
Rigidez cadavérica de princípios
E complacência desmedida
Com os próprios erros

A que será que se destina?
A beleza em cada pequena coisa
E a vergonha revelada
Em um estranho esplendor

A que será que nos destinamos?
A construir pontes?
A cimentar muros?
A pedir perdão um milhão de vezes?
A decepcionar quem entende tudo
E quem não entende nada?
A plantar livro e escrever árvore?
A criar um filho feliz?

Talvez...
Ou talvez apenas a passar
Sem alarde
Pelo único milagre possível