Wednesday, June 13, 2007

são nove horas
e agora sim eu nasci
na boca tristeza de menino velho
arrancado modernamente do chão
fundador de futuros interrompidos

são nove horas
e agora sim eu nasci
e o vazio de tantas presenças
ameaça rolar do meu rosto
política de afetos

são nove horas
e agora sim eu nasci
você está aqui
onde está você?

são nove horas
e agora sim eu nasci

Wednesday, June 06, 2007

Tudo acaba onde começou
Nada acaba...

Friday, May 04, 2007

BAKHTINIANO

Tudo começou antes de começar
E, particularmente, não acredito em pontos finais

Saturday, April 21, 2007

A CIDADE SAI DE MIM

(para Angra dos Reis)

A cidade sai de mim
Lentamente
Como sangue que escorre
Lento e quente
Do ferimento

A cidade sai de mim
Lentamente
Como lágrima que escorre
Lenta e quente
Do coração

A cidade sai de mim
Rascante
Como amor impotente
Seco e frio
De tristeza

A cidade não sai de mim

Friday, April 13, 2007

FIM DE LINHA

Não leio mais as previsões pro teu signo
No horóscopo do jornal

Nem espero em vão por um comentário teu
Nos poemas do meu blog

Não entupo mais teu celular
Com mensagens desesperadas

Nem te imponho presentes,
Canções ou filmes pirateados

Não te indico mais livros
Nem te empresto os meus

Claramente, se ainda estás viva
Então quem morreu fui eu

Saturday, March 31, 2007

UBUNTU

O único mundo que existe
é o que habita o espaço
dos nossos dedos entrelaçados

Wednesday, March 21, 2007

Eternidade Breve

Ontem teu rosto me veio assim
Feito um sonho bom
Sem remorsos nem esperança
Somente a eternidade do breve instante

Saturday, March 10, 2007

Assassinato

Você não vê
O sangue manchando o teclado
Nem pode adivinhar na tela
Os restos mortais
De tantos sorrisos

Saturday, February 03, 2007

Lembranças do Futuro

Teus azuis ainda estão
em tudo o que ouço

E teu gosto teima em brilhar
em vagas imagens de tanta memória

Nada a fazer
e tudo por ser feito

Pois tudo o que foi feito
ainda está por fazer

Lembranças de futuros possíveis,
estados eternos de vir a ser

Saturday, January 27, 2007

EPPUR SI MUOVE

Não sei o que esse meu coração tem
Que não consegue se aquietar

Alma de artista sem talento
Palma de velas e tormentas

Eu vivo como quem morre
Eu morro como quem nasce

Saturday, January 13, 2007

OUROANA

(Sampleando Saramago)


Ouroana chama-se ela
Em quem não pára de pensar
E se vê-la é tão raro
Qualquer letra vira seu signo
E isso basta para o encontro

Pois só há que temer o fim se ele vier
Antes que possa tocar-lhe o ouro
Ouro que lhe toca
A cada toque de seus ícones

Ouroana, Maria Sara, Anamor
Magia da palavra, do nome, da carne
Ouroana, como te chamas?
Maria Sara, Anamor

Saturday, January 06, 2007

A 4 Mãos

(Humano, Demasiadamente Humano)


Nada estava escrito
No M de nossas palmas
E ainda assim o pudemos ler

Não havia quaisquer sinais
E os plantamos
Em cada esquina

E nas estrelas só se via
O brilho projetado
Emprestado do nosso olhar

Nossa linda, linda história
O destino não a escreveu
Mas por querer o fizemos você e eu

Saturday, December 23, 2006

Pequenos Milagres

Minhas palavras não guardam mistérios
Nenhuma essência por trás do opaco

E, no entanto,
Tentam agarrar milagres

Sentidos que empresto
Ao eterno retorno do teu sorriso

Saturday, December 16, 2006

FALTA

Alma
Ar
Linha da vida
Mão pequena
Dedos finos
Meu sorriso

Palma
Par
Vinho tinto
Pele alva
Lábios vivos
Eu menino

Falta
Faz
E sempre fará
A coragem que não tive

Monday, November 06, 2006

Lugar Comum

O que desejo para nós
É um lugar comum
Nem mais nem menos
Que tempo já não temos

O que desejo para ti
É uma alegria besta
Mesmo com tantos literatos
De quinta e sexta

O que desejo para mim
É fim de comédia romântica
Que pra quem ama
Melhor que Greenaway é um belo drama

O que desejo, enfim
É passeio de mãos dadas
Em quinta ensolarada
Bola colorida e dragão chinês

O que desejo pra vocês
É ver de boa vista
Simples vôo de isopor
Levando meus humores para além do seu pudor

Saturday, November 04, 2006

Anatomia

Ar te faço
E te respiro
Te processo como posso
Enquanto escapas dos meus olhos

Meu olfato denuncia
A perfeição desse teu nome
Cujo toque me remete
Ao colo úmido de Iemanjá

Onde repouso minha mente
E o cansaço de te amar
Me faz de novo semente
De um caminhar imponderável

Saturday, October 07, 2006

Ainda Torto

Escrevo-me e reescrevo-me
em cada verso que sangra surdo
dentro de mim
ou brota líquido do meu olhar
Um poeta não se faz com versos

É o risco de se desconstruir
e reinventar a cada salto
no escuro e sem rede

Pois sobre viver e sobre escrever
de cachorros vivos ou mortos
mais vale a mais valia da ironia

Poesia, vida
Ao que parece não há

Onde a saída?
Pra mim chega!

Sunday, July 09, 2006

Orbitais

Todo amor é para sempre
Ainda que relações acabem
E sejam muitos os amores
Pois todos os amores são para sempre

Todos os encontros são reencontros
Ainda que inaugural seja a fagulha
E único seja o encontro
Pois todo encontro é reencontro

E essa luz que cega e atrai
Não é senão trança
De mil fiapos de brilho

Fiapos de estranhos movimentos
Em que orbitamos uns aos outros
Da gravidade ao infinito

Tuesday, June 13, 2006

Amores Líquidos

Amo-te em todos os meus amores
E todos os meus amores brilham no teu olhar

Todos os gostos que provei
São um
E uno é o beijo que a tantas te dei

Múltiplo entrelace
Pernas, braços e almas
Canto daquilo que nunca se consome
Mas que ama
E cujo único epicentro é o amor
Múltiplo, uno e intenso

Leves sejam nossas almas líquidas
Que transbordam de nós
Por tanto amor

Saturday, February 11, 2006

Pequenos Infinitos

Me diz agora o que é que eu faço
desse meu amor
Como é que eu volto pra casa
Se minha casa agora é você
O que eu faço da minha história
e da tua dor
E de todos esses lugares comuns
de poesia pequena
de poeta pequeno
Lugares de tempos incertos
e almas errantes
Que sopram em meus ouvidos
estranhos vôos não autorizados