O que desejo para nós
É um lugar comum
Nem mais nem menos
Que tempo já não temos
O que desejo para ti
É uma alegria besta
Mesmo com tantos literatos
De quinta e sexta
O que desejo para mim
É fim de comédia romântica
Que pra quem ama
Melhor que Greenaway é um belo drama
O que desejo, enfim
É passeio de mãos dadas
Em quinta ensolarada
Bola colorida e dragão chinês
O que desejo pra vocês
É ver de boa vista
Simples vôo de isopor
Levando meus humores para além do seu pudor
Monday, November 06, 2006
Saturday, November 04, 2006
Anatomia
Ar te faço
E te respiro
Te processo como posso
Enquanto escapas dos meus olhos
Meu olfato denuncia
A perfeição desse teu nome
Cujo toque me remete
Ao colo úmido de Iemanjá
Onde repouso minha mente
E o cansaço de te amar
Me faz de novo semente
De um caminhar imponderável
E te respiro
Te processo como posso
Enquanto escapas dos meus olhos
Meu olfato denuncia
A perfeição desse teu nome
Cujo toque me remete
Ao colo úmido de Iemanjá
Onde repouso minha mente
E o cansaço de te amar
Me faz de novo semente
De um caminhar imponderável
Saturday, October 07, 2006
Ainda Torto
Escrevo-me e reescrevo-me
em cada verso que sangra surdo
dentro de mim
ou brota líquido do meu olhar
Um poeta não se faz com versos
É o risco de se desconstruir
e reinventar a cada salto
no escuro e sem rede
Pois sobre viver e sobre escrever
de cachorros vivos ou mortos
mais vale a mais valia da ironia
Poesia, vida
Ao que parece não há
Onde a saída?
Pra mim chega!
em cada verso que sangra surdo
dentro de mim
ou brota líquido do meu olhar
Um poeta não se faz com versos
É o risco de se desconstruir
e reinventar a cada salto
no escuro e sem rede
Pois sobre viver e sobre escrever
de cachorros vivos ou mortos
mais vale a mais valia da ironia
Poesia, vida
Ao que parece não há
Onde a saída?
Pra mim chega!
Sunday, July 09, 2006
Orbitais
Todo amor é para sempre
Ainda que relações acabem
E sejam muitos os amores
Pois todos os amores são para sempre
Todos os encontros são reencontros
Ainda que inaugural seja a fagulha
E único seja o encontro
Pois todo encontro é reencontro
E essa luz que cega e atrai
Não é senão trança
De mil fiapos de brilho
Fiapos de estranhos movimentos
Em que orbitamos uns aos outros
Da gravidade ao infinito
Ainda que relações acabem
E sejam muitos os amores
Pois todos os amores são para sempre
Todos os encontros são reencontros
Ainda que inaugural seja a fagulha
E único seja o encontro
Pois todo encontro é reencontro
E essa luz que cega e atrai
Não é senão trança
De mil fiapos de brilho
Fiapos de estranhos movimentos
Em que orbitamos uns aos outros
Da gravidade ao infinito
Tuesday, June 13, 2006
Amores Líquidos
Amo-te em todos os meus amores
E todos os meus amores brilham no teu olhar
Todos os gostos que provei
São um
E uno é o beijo que a tantas te dei
Múltiplo entrelace
Pernas, braços e almas
Canto daquilo que nunca se consome
Mas que ama
E cujo único epicentro é o amor
Múltiplo, uno e intenso
Leves sejam nossas almas líquidas
Que transbordam de nós
Por tanto amor
E todos os meus amores brilham no teu olhar
Todos os gostos que provei
São um
E uno é o beijo que a tantas te dei
Múltiplo entrelace
Pernas, braços e almas
Canto daquilo que nunca se consome
Mas que ama
E cujo único epicentro é o amor
Múltiplo, uno e intenso
Leves sejam nossas almas líquidas
Que transbordam de nós
Por tanto amor
Saturday, February 11, 2006
Pequenos Infinitos
Me diz agora o que é que eu faço
desse meu amor
Como é que eu volto pra casa
Se minha casa agora é você
O que eu faço da minha história
e da tua dor
E de todos esses lugares comuns
de poesia pequena
de poeta pequeno
Lugares de tempos incertos
e almas errantes
Que sopram em meus ouvidos
estranhos vôos não autorizados
desse meu amor
Como é que eu volto pra casa
Se minha casa agora é você
O que eu faço da minha história
e da tua dor
E de todos esses lugares comuns
de poesia pequena
de poeta pequeno
Lugares de tempos incertos
e almas errantes
Que sopram em meus ouvidos
estranhos vôos não autorizados
Sunday, November 20, 2005
Nada que se supõe definitivo se sustenta
Pois é... eu disse que tinha encerrado o blog, mas aqui estou novamente. Não me comprometo com prazos nem regularidade, mas sempre que tiver um poema novo, vou postar. O de hoje é esse:
QUERO-ME EM TI
Quero o meu sorriso em tua boca
E teu pranto em meu olhar
Quero teus conflitos em meu peito
E a pouca paz que houver pra dar
Quero minha alma entre teus dentes
E teu coração em meu pulsar
Quero tua vida ali em frente
E o mais que venha a transmutar
Quero ser teu enquanto houver presente
E o meu há de ser minha vida em teu voar
Vem brincar, menina linda
Deixa teu sol nascer em mim
QUERO-ME EM TI
Quero o meu sorriso em tua boca
E teu pranto em meu olhar
Quero teus conflitos em meu peito
E a pouca paz que houver pra dar
Quero minha alma entre teus dentes
E teu coração em meu pulsar
Quero tua vida ali em frente
E o mais que venha a transmutar
Quero ser teu enquanto houver presente
E o meu há de ser minha vida em teu voar
Vem brincar, menina linda
Deixa teu sol nascer em mim
Sunday, August 21, 2005
Aniversário & Fim de Linha
Amigos do Poesia Residual,
Em 18 de agosto este blog completou um ano de vida. Durante este ano publicamos um poema "novo" a cada sábado. A idéia era fazer do blog um veículo para poemas ainda inéditos, sobretudo para minha produção mais recente. Contudo, as tarefas do dia-a-dia começaram a se acumular, especialmente depois de me tornar aluno de doutorado do Instituto de Letras da UFF. Assim, passei a ter pouquíssimo tempo para escrever poemas novos. Como conseqüência, os últimos poemas postados eram antigos e até já haviam sido publicados em livro. De qualquer forma, acho que o Poesia Residual cumpriu seu papel como blog. Não pretendo atualizá-lo mais. Meus próximos projetos incluem a transformação do Poesia Residual em livro convencional e a criação de um novo blog, agora para textos em prosa. Assim que tiver novidades, avisarei através de um novo post aqui. Até breve e obrigado pelo carinho.
Ricardo Almeida
Saturday, August 13, 2005
Não Nos Julgue Tão Severamente...
Somos filhos de Guernica e Hiroshima,
Somos filhos de Inês de Castro,
Somos filhos de Romeu e Julieta
E dos crimes passionais...
Somos filhos de Hitler, Reagan e Krushov,
Somos filhos da Santa Inquisição,
Somos filhos de Hendrix, Joplin e Lennon
E da falta de amor...
Somos filhos das esquizofrenias, neuroses e paranóias,
Somos filhos da Censura Federal,
Somos filhos dos pais separados
E dos golpes militares...
Somos teus filhos: Deus Pai Celeste!
Planeta Terra, Século XX, Casa do Sol Nascente.
(Este é um poema antigo, do século passado, como se vê. Mas, estranhamente, ainda o acho atual.)
Somos filhos de Inês de Castro,
Somos filhos de Romeu e Julieta
E dos crimes passionais...
Somos filhos de Hitler, Reagan e Krushov,
Somos filhos da Santa Inquisição,
Somos filhos de Hendrix, Joplin e Lennon
E da falta de amor...
Somos filhos das esquizofrenias, neuroses e paranóias,
Somos filhos da Censura Federal,
Somos filhos dos pais separados
E dos golpes militares...
Somos teus filhos: Deus Pai Celeste!
Planeta Terra, Século XX, Casa do Sol Nascente.
(Este é um poema antigo, do século passado, como se vê. Mas, estranhamente, ainda o acho atual.)
Saturday, August 06, 2005
Tempo Nublado
O tempo está nublado
Já acordou assim
Um tanto nostálgico e entorpecido
Como tivesse tomado uns quantos copos de vodca
Sua nostalgia triste-alegre
Aumenta à medida que a chuva cai
Fina, suave, quase imperceptível
Sumindo como o passado presente
Momento de desespero
Necessidade de suar sangue
No entanto retida
De tanto torpor
A chuva continua sumida
Embora mais intensa
O temporal não desabou
Ficou guardado
Lá dentro
Aparecendo em alguns momentos
Sob diversas formas amorfas
Enfim,
ninguém ligou
ninguém liga
ninguém ligará
Já acordou assim
Um tanto nostálgico e entorpecido
Como tivesse tomado uns quantos copos de vodca
Sua nostalgia triste-alegre
Aumenta à medida que a chuva cai
Fina, suave, quase imperceptível
Sumindo como o passado presente
Momento de desespero
Necessidade de suar sangue
No entanto retida
De tanto torpor
A chuva continua sumida
Embora mais intensa
O temporal não desabou
Ficou guardado
Lá dentro
Aparecendo em alguns momentos
Sob diversas formas amorfas
Enfim,
ninguém ligou
ninguém liga
ninguém ligará
Saturday, July 30, 2005
Poema Confissão (para todos os cegos - ilustres ou não)
Que se dane o que possam pensar da poesia
Eu só quero sentir, sentir, sentir
Que se danem a métrica, a rima, a fôrma
E que se dane o ritmo, Manuel Bandeira
Que se dane a estética antropofágica
Eu só quero vomitar meu sentimento
Meu compromisso é com a vida, com a paixão
Eu amo vocês
Poesia é nudez, Ginsberg?
Que se dane o que é a poesia
Eu quero trepar, gozar
E matar o meu amor às cinco horas da manhã
E ainda que vocês não entendam
Eu amo Oswald, Chacal,
Bandeira e coisa e tal
Mas intocável mesmo
Só substantivo abstrato
E calcinha da professora
Morte ao sindicato dos deuses
Eu quero ser livre
Eu só quero sentir, sentir, sentir
Que se danem a métrica, a rima, a fôrma
E que se dane o ritmo, Manuel Bandeira
Que se dane a estética antropofágica
Eu só quero vomitar meu sentimento
Meu compromisso é com a vida, com a paixão
Eu amo vocês
Poesia é nudez, Ginsberg?
Que se dane o que é a poesia
Eu quero trepar, gozar
E matar o meu amor às cinco horas da manhã
E ainda que vocês não entendam
Eu amo Oswald, Chacal,
Bandeira e coisa e tal
Mas intocável mesmo
Só substantivo abstrato
E calcinha da professora
Morte ao sindicato dos deuses
Eu quero ser livre
Saturday, July 23, 2005
Espreguiçar
De um quarto fechado
Alguém contempla o mundo
Sua visão ultrapassa a fresta da janela entreaberta
Desvia-se das grades de metal
Sobe e pousa num galho de árvore
O Sol arde e queima
No céu
Um de seus raios
Desce, passa por entre as folhas da árvore
Desvia-se das grades de metal
Vence a fresta da janela
E deita-se numa cama
Aquecendo as idéias de seu habitante
Que recolhe sem pressa sua visão
Alguém contempla o mundo
Sua visão ultrapassa a fresta da janela entreaberta
Desvia-se das grades de metal
Sobe e pousa num galho de árvore
O Sol arde e queima
No céu
Um de seus raios
Desce, passa por entre as folhas da árvore
Desvia-se das grades de metal
Vence a fresta da janela
E deita-se numa cama
Aquecendo as idéias de seu habitante
Que recolhe sem pressa sua visão
Saturday, July 16, 2005
Poema da Redescoberta
Aprendi que não basta aprender
A ler o escrito nas entrelinhas
E o não-escrito por trás delas.
Para que possamos descobrir
A Essência, que homens mórbidos
Insistem em tentar velar
(Retirar da linha de nossa visão)
É preciso que, de repente,
Desmorone o grande castelo
(Que posto fosse de areia,
Parecia extremamente sólido).
Não basta perceber que o rei está nu
E desmascarar o discurso do poder,
É preciso se perceber nu,
Sentir vergonha, medo, insegurança...
Largar todas as tábuas de salvação,
Abrir mão das certezas,
E replantar, talvez no cimento,
Tudo que era morando
E mofo se tornou.
Ainda que correndo o risco
De não sobreviver.
A ler o escrito nas entrelinhas
E o não-escrito por trás delas.
Para que possamos descobrir
A Essência, que homens mórbidos
Insistem em tentar velar
(Retirar da linha de nossa visão)
É preciso que, de repente,
Desmorone o grande castelo
(Que posto fosse de areia,
Parecia extremamente sólido).
Não basta perceber que o rei está nu
E desmascarar o discurso do poder,
É preciso se perceber nu,
Sentir vergonha, medo, insegurança...
Largar todas as tábuas de salvação,
Abrir mão das certezas,
E replantar, talvez no cimento,
Tudo que era morando
E mofo se tornou.
Ainda que correndo o risco
De não sobreviver.
Saturday, July 09, 2005
Lição
Aprendi a ler nas entrelinhas
(E por trás delas)
A cada novo esbarrão
Em um ponto final.
Mas não espere encontrar nas minhas
Palavras belas
Pois minha intenção
(Se me consente)
É pôr em sua mente
Um ponto de interrogação
- ou não?
(E por trás delas)
A cada novo esbarrão
Em um ponto final.
Mas não espere encontrar nas minhas
Palavras belas
Pois minha intenção
(Se me consente)
É pôr em sua mente
Um ponto de interrogação
- ou não?
Saturday, July 02, 2005
Menino, Comporte-se...
Comporte-se seriamente
Comporte-se de acordo com a moral
Comporte frustrações somente
Sê um débil mental.
Comporte-se de acordo com a moral
Comporte frustrações somente
Sê um débil mental.
Saturday, June 25, 2005
Há Um Poema Em Cada Gota de Sangue
Em tudo que você olha
Em tudo, tudo que você não vê
E tudo que você colhe,
E tudo que morre
E tudo que existe,
E aquilo que você imagina
E em cada segundo da vida há poesia,
Mas a pena se recusa a encher o papel...
Em tudo, tudo que você não vê
E tudo que você colhe,
E tudo que morre
E tudo que existe,
E aquilo que você imagina
E em cada segundo da vida há poesia,
Mas a pena se recusa a encher o papel...
Saturday, June 18, 2005
Tchau!
Quando ela foi embora
pensei em tudo,
menos em poesia: Tomei um porre!
E poetizei bêbado as ruas imundas,
Vomitando meu sentimento,
Como pichasse seu nome
nos muros da cidade,
abarrotados de propaganda política...
pensei em tudo,
menos em poesia: Tomei um porre!
E poetizei bêbado as ruas imundas,
Vomitando meu sentimento,
Como pichasse seu nome
nos muros da cidade,
abarrotados de propaganda política...
Saturday, June 11, 2005
POR UM DESESPERO AGRADÁVEL
Eu sou um ladrão de idéias
Como todo bom poeta
Feitor das palavras
Sádico como um chicote
Mudo como uma porta
Impublicável
Eu sou um louco
À procura da vida e do amor
À tua procura
À minha procura
Eu vivo
Eu sinto medo e quero a coragem
A coragem de um herói trágico
A coragem de ser humano
Eu vivo e sobrevivo
Um Napoleão absolutamente anônimo
Como todo bom poeta
Feitor das palavras
Sádico como um chicote
Mudo como uma porta
Impublicável
Eu sou um louco
À procura da vida e do amor
À tua procura
À minha procura
Eu vivo
Eu sinto medo e quero a coragem
A coragem de um herói trágico
A coragem de ser humano
Eu vivo e sobrevivo
Um Napoleão absolutamente anônimo
Saturday, June 04, 2005
Primeiro Poema Erótico
Essa mulher não é mulher,
É peixe, nadando ora contra a corrente
Ora a favor da maré
Essa mulher é misto de bicho carente
E mar que envolve a gente
Entre suas pernas de mulher
E pede um poema
E pede um soneto
E salta do aquário em busca do ar
Mas minha pena
Prefere à rigidez do soneto
O passeio safado
De um poeta tarado
Por suas formas morenas
Claras formas flexíveis
Do seu corpo de mulher
Essa mulher não é mulher,
É peixe...
É peixe, nadando ora contra a corrente
Ora a favor da maré
Essa mulher é misto de bicho carente
E mar que envolve a gente
Entre suas pernas de mulher
E pede um poema
E pede um soneto
E salta do aquário em busca do ar
Mas minha pena
Prefere à rigidez do soneto
O passeio safado
De um poeta tarado
Por suas formas morenas
Claras formas flexíveis
Do seu corpo de mulher
Essa mulher não é mulher,
É peixe...
Saturday, May 28, 2005
Prece
Agora olhe,
Não pra mim,
Se é que 'inda se lembra...
Olhe pra luz
Vulgarmente azulada
De todos os hotéis baratos
Da Praça da Bandeira
E vê que o meu amor, amor
Não valeu nada, não valeu a pena
Ainda que tenha sido infinitamente feliz
Em todas as luzes
Vulgarmente azuladas
De todos os hotéis baratos
De todas as praças da bandeira
E que meu coração ficou a ver navios
A esperar pelas barcas em Paquetá,
A apertar os olhos
Ao ver a escuridão passar,
A ejacular na cama às três da madrugada
E lembrar que o choro também seria uma forma de prazer
Ou vice-versa
Pra nunca mais esquecer
Não pra mim,
Se é que 'inda se lembra...
Olhe pra luz
Vulgarmente azulada
De todos os hotéis baratos
Da Praça da Bandeira
E vê que o meu amor, amor
Não valeu nada, não valeu a pena
Ainda que tenha sido infinitamente feliz
Em todas as luzes
Vulgarmente azuladas
De todos os hotéis baratos
De todas as praças da bandeira
E que meu coração ficou a ver navios
A esperar pelas barcas em Paquetá,
A apertar os olhos
Ao ver a escuridão passar,
A ejacular na cama às três da madrugada
E lembrar que o choro também seria uma forma de prazer
Ou vice-versa
Pra nunca mais esquecer
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