Muros e pontes criamos
Enquantos esperamos
Muros e pontes grafamos
Enquanto passamos
Muros e pontes...
Estranhas construções!
Estranho que só possa pensá-las
Como lados da mesma moeda
Como partes da mesma espera
Muros e pontes vivemos
Enquanto o dia não vem
Saturday, March 19, 2005
Saturday, March 12, 2005
Crepúsculos
Entre o real e o possível,
Plenos de sangue,
Lindos sonhos tivemos
Entre a viagem e a guerra,
Prenhes de sentidos,
Longas metáforas vivemos
Entre o desejo e a boca
Um novo tempo estranho
Agora me paraliza
Entre pálpebras e vigília
Uma alma provisória
Inquieta adormece
Plenos de sangue,
Lindos sonhos tivemos
Entre a viagem e a guerra,
Prenhes de sentidos,
Longas metáforas vivemos
Entre o desejo e a boca
Um novo tempo estranho
Agora me paraliza
Entre pálpebras e vigília
Uma alma provisória
Inquieta adormece
Saturday, March 05, 2005
Todas as Horas
Eu te amo assim hesitante
Cauteloso
Como quem devesse um dia odiar
Eu te odeio assim hesitante
Receoso
De que um dia devesse te amar
Eu vivo assim hesitante
Temeroso
De que cada esquina esconda o final
Hesitante...
Como quem devesse viver
O amor, o ódio
E as paixões de todas as horas
Comedidamente
Cauteloso
Como quem devesse um dia odiar
Eu te odeio assim hesitante
Receoso
De que um dia devesse te amar
Eu vivo assim hesitante
Temeroso
De que cada esquina esconda o final
Hesitante...
Como quem devesse viver
O amor, o ódio
E as paixões de todas as horas
Comedidamente
Saturday, February 26, 2005
Daqui
Eu escrevo o meu quintal
Minha curva e incerteza
Eu canto o meu amor
Beijos antiframboesa
Eu traço meu rabisco
Nos espinhos desse muro
Eu grafo e solto o grito
Das costas das troças do mundo
Minha curva e incerteza
Eu canto o meu amor
Beijos antiframboesa
Eu traço meu rabisco
Nos espinhos desse muro
Eu grafo e solto o grito
Das costas das troças do mundo
Saturday, February 19, 2005
Concêntricos
Menina, eu odeio acrósticos
E nomes
E tudo aquilo que personalize
O que deve apenas partir do pessoal
E, ainda assim, te amo...
E, no entanto,
Apesar de tanto te amar,
Meu amor por ti não importa
Mais que o amor simplesmente
E nem o teu olhar,
Que tanto me cativa,
É importante em si
Senão pelo que revela
Do gênero humano
E tu és apenas o centro de ti
E eu, apenas o centro de mim
E quanto a escrever poemas
Mais valem os múltiplos olhares
Que possas me emprestar
E nomes
E tudo aquilo que personalize
O que deve apenas partir do pessoal
E, ainda assim, te amo...
E, no entanto,
Apesar de tanto te amar,
Meu amor por ti não importa
Mais que o amor simplesmente
E nem o teu olhar,
Que tanto me cativa,
É importante em si
Senão pelo que revela
Do gênero humano
E tu és apenas o centro de ti
E eu, apenas o centro de mim
E quanto a escrever poemas
Mais valem os múltiplos olhares
Que possas me emprestar
Saturday, February 12, 2005
Riscos & Possibilidades (Dias Perigosos)
[Parris], like the rest of Salem, never conceived that the children were anything but thankful for being permitted to walk straight, eyes slightly lowered, arms at the sides, and mouths shut until bidden to speak.
(Arthur Miller - The Crucible)
A vida é um risco, menino
E você pode falar o que pensa
Desde que todos concordem
+
Nestes dias perigosos
Não há espaço para a poesia
E a sinceridade deve ficar bem escondida
Atrás de lisonjas e sorrisos
+
Menino, comporte-se
Divergir pra quê?
Decore o script
E depois conversamos
+
Amenidades, por favor
Que a palavra agora
Tem uma estranha função
+
Sim, são dias perigosos
Por mais que se diga o contrário...
+
Mas você pode dizer o que quiser
Desde que não seja o que pensa
Desde que seja mais uma voz
No coro da indiferença
+
Ainda que o silêncio pese uma tonelada...
Saturday, February 05, 2005
Danças
Musicais da Broadway
me dão enjôos
Os passos que amo
não são marcados
nem precisam de coro
ao fundo
Os passos que amo
são movimentos espontâneos
de uma dança epiléptica
livre e insegura
Bonecos de mamulengo
que balançam
e tantas vezes caem
Equilibristas bêbados
de uma vida
sem ordem unida
Beijos, tropeços e quedas
Encontros
de corpos indisciplinados
que espontaneamente
se fundem
e movem-se atabalhoados
emprestando beleza
a estranhos espasmos
descoreografados
me dão enjôos
Os passos que amo
não são marcados
nem precisam de coro
ao fundo
Os passos que amo
são movimentos espontâneos
de uma dança epiléptica
livre e insegura
Bonecos de mamulengo
que balançam
e tantas vezes caem
Equilibristas bêbados
de uma vida
sem ordem unida
Beijos, tropeços e quedas
Encontros
de corpos indisciplinados
que espontaneamente
se fundem
e movem-se atabalhoados
emprestando beleza
a estranhos espasmos
descoreografados
Saturday, January 29, 2005
Canção Desconfiada
Desconfie de certezas
Nada é
Nem se parece
E tudo que é sórdido
Se esconde no ar
Desconfie de fronteiras
A areia não termina
Onde começa a água
E eu não termino
Onde você começa
Se você me faz
E desconfie de quem ama
Não porque não ame
Mas porque amar
É perigosamente
Diluir as bordas
De certezas e fronteiras
Mas sobretudo desconfie de poetas desconfiados
Que desconfiam de tudo
Até mesmo de versinhos
Romanticamente sorridentes
E de poemas incertos
Que amam desfronteiras
Nada é
Nem se parece
E tudo que é sórdido
Se esconde no ar
Desconfie de fronteiras
A areia não termina
Onde começa a água
E eu não termino
Onde você começa
Se você me faz
E desconfie de quem ama
Não porque não ame
Mas porque amar
É perigosamente
Diluir as bordas
De certezas e fronteiras
Mas sobretudo desconfie de poetas desconfiados
Que desconfiam de tudo
Até mesmo de versinhos
Romanticamente sorridentes
E de poemas incertos
Que amam desfronteiras
Saturday, January 22, 2005
Múltiplos
Quero-te
Simples
Como quem ama
Quero-te
Múltipla
Como és
E estilhaçado
Como sou
Quero-te
Inteira
Pela metade
E com a melhor face
Que te dou
Quero te dar
Todos meus amores
Quero provar
Todos teus sabores
Exclusivos somos
Do mundo que somos
E dos outros
Que nos fazem
Seus construtores
Quero-te leve
E dou-me mosaico
Do mundo que somos
Do mundo que somos
Somos daqueles
Que assim desejaram
Nos reinventar
E conjugamos
De múltiplas formas
Novas e leves
Uma estranha essência
Sempre um tanto avessa
A se cristalizar
Simples
Como quem ama
Quero-te
Múltipla
Como és
E estilhaçado
Como sou
Quero-te
Inteira
Pela metade
E com a melhor face
Que te dou
Quero te dar
Todos meus amores
Quero provar
Todos teus sabores
Exclusivos somos
Do mundo que somos
E dos outros
Que nos fazem
Seus construtores
Quero-te leve
E dou-me mosaico
Do mundo que somos
Do mundo que somos
Somos daqueles
Que assim desejaram
Nos reinventar
E conjugamos
De múltiplas formas
Novas e leves
Uma estranha essência
Sempre um tanto avessa
A se cristalizar
Saturday, January 15, 2005
Poema Incerto
Certos poemas
São polígonos
Outros
Linhas poligonais
Abertas
Certos poemas...
Em certos poemas
Encerro o óbvio enigma
Incertos poemas
Tão óbvios
Quanto a alma
Do poeta
Tão enigmáticos
Quanto
Seus segredos...
O resto é prosa
São polígonos
Outros
Linhas poligonais
Abertas
Certos poemas...
Em certos poemas
Encerro o óbvio enigma
Incertos poemas
Tão óbvios
Quanto a alma
Do poeta
Tão enigmáticos
Quanto
Seus segredos...
O resto é prosa
Saturday, January 08, 2005
Inventário em Preto e Branco
Tenho um pequeno caderno vermelho
Onde guardo pequenas gotas do que fui
Trago um olhar azul de cachorro
Triste e um tanto melancólico
Que às vezes vira um sorriso castanho de filhote
Possuo quartos brancos numerados
Onde és bem vinda a qualquer hora
E gavetas grafite bem trancadas
Em que acumulo dores incolores
E cultivo almas transparentes
Onde guardo pequenas gotas do que fui
Trago um olhar azul de cachorro
Triste e um tanto melancólico
Que às vezes vira um sorriso castanho de filhote
Possuo quartos brancos numerados
Onde és bem vinda a qualquer hora
E gavetas grafite bem trancadas
Em que acumulo dores incolores
E cultivo almas transparentes
Saturday, January 01, 2005
Poesia Residual
Não consigo escrever poemas
Sem ser exagerado
A hipérbole é minha terra
A paixão, meu arado
Me surpreendo, de repente,
Compondo versos rimados
Como quem respira sofregamente
A alma do inusitado
Eu escrevo como quem vive
Eu vivo como quem morre
(Desejo a todos os amigos do Poesia Residual um feliz 2005 e peço que mandem seus melhores pensamentos a Luiz Otávio Lopes, amigo de infância e irmão de alma e poesia que sofreu um derrame neste Natal. Que sejamos também solidários ao povo asiático, que não merecia a tragédia que está vivendo neste momento.)
Sem ser exagerado
A hipérbole é minha terra
A paixão, meu arado
Me surpreendo, de repente,
Compondo versos rimados
Como quem respira sofregamente
A alma do inusitado
Eu escrevo como quem vive
Eu vivo como quem morre
(Desejo a todos os amigos do Poesia Residual um feliz 2005 e peço que mandem seus melhores pensamentos a Luiz Otávio Lopes, amigo de infância e irmão de alma e poesia que sofreu um derrame neste Natal. Que sejamos também solidários ao povo asiático, que não merecia a tragédia que está vivendo neste momento.)
Saturday, December 25, 2004
Em Terra de Cego
A minha visão das coisas
É irremediavelmente tortuosa
Defeituosa
Desviante crônica
Minha lente sem foco
Oscila sempre
Irremediavelmente
Entre o querer ser e o dever ser
E ainda assim me julgam poeta
Só por escrever versinhos sorridentes
Incompreensíveis para uns
Irrelevantes para outros
Minha face monstruosa
Não é de poeta
É monstruosa apenas
E a dor de minh'alma
Não é dor de artista
É dor de alma pequena
É irremediavelmente tortuosa
Defeituosa
Desviante crônica
Minha lente sem foco
Oscila sempre
Irremediavelmente
Entre o querer ser e o dever ser
E ainda assim me julgam poeta
Só por escrever versinhos sorridentes
Incompreensíveis para uns
Irrelevantes para outros
Minha face monstruosa
Não é de poeta
É monstruosa apenas
E a dor de minh'alma
Não é dor de artista
É dor de alma pequena
Saturday, December 18, 2004
Reflexivo
Fotos experimentais:
Registros desfocados
De momentos
do processo.
Buscas existenciais
Que nos buscam
Quando menos
esperamos.
Revelações,
sentidos e possibilidades
A câmera diante do espelho...
O homem no espelho não está só.
(Dica: Àqueles que começaram a visitar o blog apenas recentemente, sugiro clicar nos meses anteriores, que se encontram na seção Archives, para que possam conhecer os poemas que foram publicados anteriormente.)
Registros desfocados
De momentos
do processo.
Buscas existenciais
Que nos buscam
Quando menos
esperamos.
Revelações,
sentidos e possibilidades
A câmera diante do espelho...
O homem no espelho não está só.
(Dica: Àqueles que começaram a visitar o blog apenas recentemente, sugiro clicar nos meses anteriores, que se encontram na seção Archives, para que possam conhecer os poemas que foram publicados anteriormente.)
Saturday, December 11, 2004
Ao Coração da Cidade
Simples cidade
Triste cidade
Simples e triste
Bela cidade
Decadente
Em seu coração
Que não fica à mostra
Nem canta o carnaval
Simplesmente urbana
Como teu sorriso
Branco e simples
Cidade triste
Infinitamente bela
Em seu coração
Que não canta o carnaval
Nem fica à mostra
Simplesmente urbana
Decadente
Cidade triste
Em seu coração
Infinitamente belo
Triste cidade
Simples e triste
Bela cidade
Decadente
Em seu coração
Que não fica à mostra
Nem canta o carnaval
Simplesmente urbana
Como teu sorriso
Branco e simples
Cidade triste
Infinitamente bela
Em seu coração
Que não canta o carnaval
Nem fica à mostra
Simplesmente urbana
Decadente
Cidade triste
Em seu coração
Infinitamente belo
Saturday, December 04, 2004
Tantas Vezes
Às vezes deus me abandona
Ou vice-versa
Não sei bem
Às vezes sou crucificado
Morto e sepultado
E não ressuscito ao terceiro dia
Às vezes eu prendo a corda a uma árvore
E meu corpo brinca de balançar
Preso pelo pescoço
Às vezes eu desço ao hades
E não encontro nada
Às vezes sou eu
Outras só vida normal
Ou vice-versa
Não sei bem
Às vezes sou crucificado
Morto e sepultado
E não ressuscito ao terceiro dia
Às vezes eu prendo a corda a uma árvore
E meu corpo brinca de balançar
Preso pelo pescoço
Às vezes eu desço ao hades
E não encontro nada
Às vezes sou eu
Outras só vida normal
Saturday, November 27, 2004
Espelhos
É uma pena que eu seja
Apenas
A maior fantasia de mim mesmo
Nesse jogo de espelhos
Em que nos escondemos
Tanto
Que já nem sabemos
Se do outro
Ou de nós mesmos
Apenas
A maior fantasia de mim mesmo
Nesse jogo de espelhos
Em que nos escondemos
Tanto
Que já nem sabemos
Se do outro
Ou de nós mesmos
Saturday, November 20, 2004
Poema Para Uma Menina Alada
Essa menina tem asas
E poemas inscritos
Por todo o corpo
Essa mulher, que voa
Povoa meus sonhos
De longos mergulhos
Da vida que se escreve
Com notas muitas vezes
Tristes
Mas que se reescreve e se refaz
Nas verdes janelas
Que reinventamos a cada dia
Se essa menina soubesse
Do que é capaz
Nenhuma trava atrapalharia seu sorriso
Se essa mulher apenas soubesse
Que o mundo inteiro
Só espera o seu comando
Pra mergulhar em mares profundos
E lavar a alma de todos os sofrimentos
Vãos...
Ah! Essa mulher... essa menina...
Esse poema vivo
Escrito e reescrito tantas vezes em pleno vôo, em plena imersão
Quero-te assim
Viva, forte e bela
Mãe, irmã e amante
Símbolo da eterna renovação do fogo
Que a cada dia ressurge
A leste de nós mesmos
E poemas inscritos
Por todo o corpo
Essa mulher, que voa
Povoa meus sonhos
De longos mergulhos
Da vida que se escreve
Com notas muitas vezes
Tristes
Mas que se reescreve e se refaz
Nas verdes janelas
Que reinventamos a cada dia
Se essa menina soubesse
Do que é capaz
Nenhuma trava atrapalharia seu sorriso
Se essa mulher apenas soubesse
Que o mundo inteiro
Só espera o seu comando
Pra mergulhar em mares profundos
E lavar a alma de todos os sofrimentos
Vãos...
Ah! Essa mulher... essa menina...
Esse poema vivo
Escrito e reescrito tantas vezes em pleno vôo, em plena imersão
Quero-te assim
Viva, forte e bela
Mãe, irmã e amante
Símbolo da eterna renovação do fogo
Que a cada dia ressurge
A leste de nós mesmos
Saturday, November 13, 2004
Noite
Sobe a noite
Cai o dia
É o dia que cai
É ele que sai
Pra voltar talvez
Depois
Depois que a noite se for
Se for
Se não decidir ficar
Pois nada é certo
Nem um dia depois do outro
Nem a noite no meio
Nem meu coração ao meio
Nem versos sorridentes
Nem romances entredentes
Nem choro estridente
Nem nada
Nem tudo
O dia se foi
Cai o dia
É o dia que cai
É ele que sai
Pra voltar talvez
Depois
Depois que a noite se for
Se for
Se não decidir ficar
Pois nada é certo
Nem um dia depois do outro
Nem a noite no meio
Nem meu coração ao meio
Nem versos sorridentes
Nem romances entredentes
Nem choro estridente
Nem nada
Nem tudo
O dia se foi
Saturday, November 06, 2004
Não Me Apaixono Mais
Não me apaixono mais
Se a idade assim já não permite
Não me apaixono mais
Pois, se tanto, o que canto
É paixonite
Não me apaixono mais
Pois as lindas janelas claras
Que verdejam em minh’alma
Já não vêm sem um toque de cinismo
Ou como mero grão de esmola
Não me apaixono mais
Mas outro dia vi você
E certamente sem querer
O que senti foi tal paixão
Ou talvez não, adrenalina
Quase paixão anfetamina
Outro dia vi você
E senti pena de mim
Se a idade assim já não permite
Não me apaixono mais
Pois, se tanto, o que canto
É paixonite
Não me apaixono mais
Pois as lindas janelas claras
Que verdejam em minh’alma
Já não vêm sem um toque de cinismo
Ou como mero grão de esmola
Não me apaixono mais
Mas outro dia vi você
E certamente sem querer
O que senti foi tal paixão
Ou talvez não, adrenalina
Quase paixão anfetamina
Outro dia vi você
E senti pena de mim
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