Somos filhos de Guernica e Hiroshima,
Somos filhos de Inês de Castro,
Somos filhos de Romeu e Julieta
E dos crimes passionais...
Somos filhos de Hitler, Reagan e Krushov,
Somos filhos da Santa Inquisição,
Somos filhos de Hendrix, Joplin e Lennon
E da falta de amor...
Somos filhos das esquizofrenias, neuroses e paranóias,
Somos filhos da Censura Federal,
Somos filhos dos pais separados
E dos golpes militares...
Somos teus filhos: Deus Pai Celeste!
Planeta Terra, Século XX, Casa do Sol Nascente.
(Este é um poema antigo, do século passado, como se vê. Mas, estranhamente, ainda o acho atual.)
Saturday, August 13, 2005
Saturday, August 06, 2005
Tempo Nublado
O tempo está nublado
Já acordou assim
Um tanto nostálgico e entorpecido
Como tivesse tomado uns quantos copos de vodca
Sua nostalgia triste-alegre
Aumenta à medida que a chuva cai
Fina, suave, quase imperceptível
Sumindo como o passado presente
Momento de desespero
Necessidade de suar sangue
No entanto retida
De tanto torpor
A chuva continua sumida
Embora mais intensa
O temporal não desabou
Ficou guardado
Lá dentro
Aparecendo em alguns momentos
Sob diversas formas amorfas
Enfim,
ninguém ligou
ninguém liga
ninguém ligará
Já acordou assim
Um tanto nostálgico e entorpecido
Como tivesse tomado uns quantos copos de vodca
Sua nostalgia triste-alegre
Aumenta à medida que a chuva cai
Fina, suave, quase imperceptível
Sumindo como o passado presente
Momento de desespero
Necessidade de suar sangue
No entanto retida
De tanto torpor
A chuva continua sumida
Embora mais intensa
O temporal não desabou
Ficou guardado
Lá dentro
Aparecendo em alguns momentos
Sob diversas formas amorfas
Enfim,
ninguém ligou
ninguém liga
ninguém ligará
Saturday, July 30, 2005
Poema Confissão (para todos os cegos - ilustres ou não)
Que se dane o que possam pensar da poesia
Eu só quero sentir, sentir, sentir
Que se danem a métrica, a rima, a fôrma
E que se dane o ritmo, Manuel Bandeira
Que se dane a estética antropofágica
Eu só quero vomitar meu sentimento
Meu compromisso é com a vida, com a paixão
Eu amo vocês
Poesia é nudez, Ginsberg?
Que se dane o que é a poesia
Eu quero trepar, gozar
E matar o meu amor às cinco horas da manhã
E ainda que vocês não entendam
Eu amo Oswald, Chacal,
Bandeira e coisa e tal
Mas intocável mesmo
Só substantivo abstrato
E calcinha da professora
Morte ao sindicato dos deuses
Eu quero ser livre
Eu só quero sentir, sentir, sentir
Que se danem a métrica, a rima, a fôrma
E que se dane o ritmo, Manuel Bandeira
Que se dane a estética antropofágica
Eu só quero vomitar meu sentimento
Meu compromisso é com a vida, com a paixão
Eu amo vocês
Poesia é nudez, Ginsberg?
Que se dane o que é a poesia
Eu quero trepar, gozar
E matar o meu amor às cinco horas da manhã
E ainda que vocês não entendam
Eu amo Oswald, Chacal,
Bandeira e coisa e tal
Mas intocável mesmo
Só substantivo abstrato
E calcinha da professora
Morte ao sindicato dos deuses
Eu quero ser livre
Saturday, July 23, 2005
Espreguiçar
De um quarto fechado
Alguém contempla o mundo
Sua visão ultrapassa a fresta da janela entreaberta
Desvia-se das grades de metal
Sobe e pousa num galho de árvore
O Sol arde e queima
No céu
Um de seus raios
Desce, passa por entre as folhas da árvore
Desvia-se das grades de metal
Vence a fresta da janela
E deita-se numa cama
Aquecendo as idéias de seu habitante
Que recolhe sem pressa sua visão
Alguém contempla o mundo
Sua visão ultrapassa a fresta da janela entreaberta
Desvia-se das grades de metal
Sobe e pousa num galho de árvore
O Sol arde e queima
No céu
Um de seus raios
Desce, passa por entre as folhas da árvore
Desvia-se das grades de metal
Vence a fresta da janela
E deita-se numa cama
Aquecendo as idéias de seu habitante
Que recolhe sem pressa sua visão
Saturday, July 16, 2005
Poema da Redescoberta
Aprendi que não basta aprender
A ler o escrito nas entrelinhas
E o não-escrito por trás delas.
Para que possamos descobrir
A Essência, que homens mórbidos
Insistem em tentar velar
(Retirar da linha de nossa visão)
É preciso que, de repente,
Desmorone o grande castelo
(Que posto fosse de areia,
Parecia extremamente sólido).
Não basta perceber que o rei está nu
E desmascarar o discurso do poder,
É preciso se perceber nu,
Sentir vergonha, medo, insegurança...
Largar todas as tábuas de salvação,
Abrir mão das certezas,
E replantar, talvez no cimento,
Tudo que era morando
E mofo se tornou.
Ainda que correndo o risco
De não sobreviver.
A ler o escrito nas entrelinhas
E o não-escrito por trás delas.
Para que possamos descobrir
A Essência, que homens mórbidos
Insistem em tentar velar
(Retirar da linha de nossa visão)
É preciso que, de repente,
Desmorone o grande castelo
(Que posto fosse de areia,
Parecia extremamente sólido).
Não basta perceber que o rei está nu
E desmascarar o discurso do poder,
É preciso se perceber nu,
Sentir vergonha, medo, insegurança...
Largar todas as tábuas de salvação,
Abrir mão das certezas,
E replantar, talvez no cimento,
Tudo que era morando
E mofo se tornou.
Ainda que correndo o risco
De não sobreviver.
Saturday, July 09, 2005
Lição
Aprendi a ler nas entrelinhas
(E por trás delas)
A cada novo esbarrão
Em um ponto final.
Mas não espere encontrar nas minhas
Palavras belas
Pois minha intenção
(Se me consente)
É pôr em sua mente
Um ponto de interrogação
- ou não?
(E por trás delas)
A cada novo esbarrão
Em um ponto final.
Mas não espere encontrar nas minhas
Palavras belas
Pois minha intenção
(Se me consente)
É pôr em sua mente
Um ponto de interrogação
- ou não?
Saturday, July 02, 2005
Menino, Comporte-se...
Comporte-se seriamente
Comporte-se de acordo com a moral
Comporte frustrações somente
Sê um débil mental.
Comporte-se de acordo com a moral
Comporte frustrações somente
Sê um débil mental.
Saturday, June 25, 2005
Há Um Poema Em Cada Gota de Sangue
Em tudo que você olha
Em tudo, tudo que você não vê
E tudo que você colhe,
E tudo que morre
E tudo que existe,
E aquilo que você imagina
E em cada segundo da vida há poesia,
Mas a pena se recusa a encher o papel...
Em tudo, tudo que você não vê
E tudo que você colhe,
E tudo que morre
E tudo que existe,
E aquilo que você imagina
E em cada segundo da vida há poesia,
Mas a pena se recusa a encher o papel...
Saturday, June 18, 2005
Tchau!
Quando ela foi embora
pensei em tudo,
menos em poesia: Tomei um porre!
E poetizei bêbado as ruas imundas,
Vomitando meu sentimento,
Como pichasse seu nome
nos muros da cidade,
abarrotados de propaganda política...
pensei em tudo,
menos em poesia: Tomei um porre!
E poetizei bêbado as ruas imundas,
Vomitando meu sentimento,
Como pichasse seu nome
nos muros da cidade,
abarrotados de propaganda política...
Saturday, June 11, 2005
POR UM DESESPERO AGRADÁVEL
Eu sou um ladrão de idéias
Como todo bom poeta
Feitor das palavras
Sádico como um chicote
Mudo como uma porta
Impublicável
Eu sou um louco
À procura da vida e do amor
À tua procura
À minha procura
Eu vivo
Eu sinto medo e quero a coragem
A coragem de um herói trágico
A coragem de ser humano
Eu vivo e sobrevivo
Um Napoleão absolutamente anônimo
Como todo bom poeta
Feitor das palavras
Sádico como um chicote
Mudo como uma porta
Impublicável
Eu sou um louco
À procura da vida e do amor
À tua procura
À minha procura
Eu vivo
Eu sinto medo e quero a coragem
A coragem de um herói trágico
A coragem de ser humano
Eu vivo e sobrevivo
Um Napoleão absolutamente anônimo
Saturday, June 04, 2005
Primeiro Poema Erótico
Essa mulher não é mulher,
É peixe, nadando ora contra a corrente
Ora a favor da maré
Essa mulher é misto de bicho carente
E mar que envolve a gente
Entre suas pernas de mulher
E pede um poema
E pede um soneto
E salta do aquário em busca do ar
Mas minha pena
Prefere à rigidez do soneto
O passeio safado
De um poeta tarado
Por suas formas morenas
Claras formas flexíveis
Do seu corpo de mulher
Essa mulher não é mulher,
É peixe...
É peixe, nadando ora contra a corrente
Ora a favor da maré
Essa mulher é misto de bicho carente
E mar que envolve a gente
Entre suas pernas de mulher
E pede um poema
E pede um soneto
E salta do aquário em busca do ar
Mas minha pena
Prefere à rigidez do soneto
O passeio safado
De um poeta tarado
Por suas formas morenas
Claras formas flexíveis
Do seu corpo de mulher
Essa mulher não é mulher,
É peixe...
Saturday, May 28, 2005
Prece
Agora olhe,
Não pra mim,
Se é que 'inda se lembra...
Olhe pra luz
Vulgarmente azulada
De todos os hotéis baratos
Da Praça da Bandeira
E vê que o meu amor, amor
Não valeu nada, não valeu a pena
Ainda que tenha sido infinitamente feliz
Em todas as luzes
Vulgarmente azuladas
De todos os hotéis baratos
De todas as praças da bandeira
E que meu coração ficou a ver navios
A esperar pelas barcas em Paquetá,
A apertar os olhos
Ao ver a escuridão passar,
A ejacular na cama às três da madrugada
E lembrar que o choro também seria uma forma de prazer
Ou vice-versa
Pra nunca mais esquecer
Não pra mim,
Se é que 'inda se lembra...
Olhe pra luz
Vulgarmente azulada
De todos os hotéis baratos
Da Praça da Bandeira
E vê que o meu amor, amor
Não valeu nada, não valeu a pena
Ainda que tenha sido infinitamente feliz
Em todas as luzes
Vulgarmente azuladas
De todos os hotéis baratos
De todas as praças da bandeira
E que meu coração ficou a ver navios
A esperar pelas barcas em Paquetá,
A apertar os olhos
Ao ver a escuridão passar,
A ejacular na cama às três da madrugada
E lembrar que o choro também seria uma forma de prazer
Ou vice-versa
Pra nunca mais esquecer
Saturday, May 21, 2005
AINDA AMOR EM VÃO
Por onde você anda,
menina de pele alva?
Pra onde mandar
meu coração te procurar?
Eu continuo confuso,
paradoxal e com olhos apertados,
só que perdi um braço,
não sei bem qual dos dois
Perdi também minha santa e rebelde
inocência
Fiquei mais canalha
pra me preservar
Mas quando a sombra negra
de tua pele alva
vem me visitar
eu não recobro as cores de antigamente,
pelo menos não a melhor delas...
Menina, eu te amo tão profundamente
que nem eu entendo bem
Só sei que ficou um buraco
no meu peito
Só sei que me sinto
vagamente culpado
E tenho uma impressão de nunca mais
na garganta
menina de pele alva?
Pra onde mandar
meu coração te procurar?
Eu continuo confuso,
paradoxal e com olhos apertados,
só que perdi um braço,
não sei bem qual dos dois
Perdi também minha santa e rebelde
inocência
Fiquei mais canalha
pra me preservar
Mas quando a sombra negra
de tua pele alva
vem me visitar
eu não recobro as cores de antigamente,
pelo menos não a melhor delas...
Menina, eu te amo tão profundamente
que nem eu entendo bem
Só sei que ficou um buraco
no meu peito
Só sei que me sinto
vagamente culpado
E tenho uma impressão de nunca mais
na garganta
Saturday, May 14, 2005
De Que Poeta Precisamos
Estou de saco cheio do poeta do significante
Técnica, técnica, técnica
Arte pela arte
Fôrma hipócrita, estrutura oca...
Poetas do significado existem aos montes
Enchendo o inferno
De boas intenções
E o ar de falta de poesia
Quero ser poeta de verdade
Louco visionário, profeta, artesão da luta
Retirando de cada gota de sangue ou suor
A poesia dos signos vivos
Técnica, técnica, técnica
Arte pela arte
Fôrma hipócrita, estrutura oca...
Poetas do significado existem aos montes
Enchendo o inferno
De boas intenções
E o ar de falta de poesia
Quero ser poeta de verdade
Louco visionário, profeta, artesão da luta
Retirando de cada gota de sangue ou suor
A poesia dos signos vivos
Saturday, May 07, 2005
Mais Uma Leve Como Leve Pluma Muito Leve Leve Pousa
Essa mulher é meu delírio
Uma doença, um vírus
Que apaga minha tela
E me deixa ver
Essa mulher é meu sonho freudiano
Mãe, amante e filhinha desamparada
A encher minha mente
De perversões
E se a vida me deu
A essa mulher
Não serei eu a contestar
Os desígnios desse anjo louco,
Torto e solto
Que escreveu a minha mão
Que venha a felicidade
Eu acho que agüento.
Uma doença, um vírus
Que apaga minha tela
E me deixa ver
Essa mulher é meu sonho freudiano
Mãe, amante e filhinha desamparada
A encher minha mente
De perversões
E se a vida me deu
A essa mulher
Não serei eu a contestar
Os desígnios desse anjo louco,
Torto e solto
Que escreveu a minha mão
Que venha a felicidade
Eu acho que agüento.
Saturday, April 30, 2005
Poema Doce
Doce menina sapeca,
Doce é teu nome,
Menina levada,
Doce de goiaba,
Doce lembrança
Dos tempos de infância
Soltos nas ruas,
Nos quintais suburbanos
Da casa de minha avó.
Doce é teu nome,
Agora mulher,
Mas com um sorriso maroto
No canto da boca.
Riso de menina
Que corre descalça,
Que brinca na rua,
Toma banho de rio
E rouba frutas diversas
Dos quintais alheios.
Doce é teu nome,
Levado, o sorriso,
Doce é a vida,
Vivo é o rio.
Doce é teu nome,
Menina levada,
Doce de goiaba,
Doce lembrança
Dos tempos de infância
Soltos nas ruas,
Nos quintais suburbanos
Da casa de minha avó.
Doce é teu nome,
Agora mulher,
Mas com um sorriso maroto
No canto da boca.
Riso de menina
Que corre descalça,
Que brinca na rua,
Toma banho de rio
E rouba frutas diversas
Dos quintais alheios.
Doce é teu nome,
Levado, o sorriso,
Doce é a vida,
Vivo é o rio.
Saturday, April 23, 2005
Cortes
Eu sou um aleijado
Asas, faltam-me asas
Alma, falta-me a alma
Eu sou um mutilado
Falta-me o sorriso de criança
Estirpado por algum bisturi
Eu ando apoiado em muletas
E tomo quilos de neosaldina
Pra aliviar a dor
Eu vivo como quem perdeu o coração
Ou, pelo menos, seus batimentos mais simples
Como quem faz hemodiálise
De lembranças...
Eu sou um aleijado
Sonhos, faltam-me os sonhos.
Asas, faltam-me asas
Alma, falta-me a alma
Eu sou um mutilado
Falta-me o sorriso de criança
Estirpado por algum bisturi
Eu ando apoiado em muletas
E tomo quilos de neosaldina
Pra aliviar a dor
Eu vivo como quem perdeu o coração
Ou, pelo menos, seus batimentos mais simples
Como quem faz hemodiálise
De lembranças...
Eu sou um aleijado
Sonhos, faltam-me os sonhos.
Saturday, April 16, 2005
A Torquato Neto
São três da madrugada
E meu coração vazio não vale, nunca valeu, nem
Nunca valerá nada
São três da madrugada, Torquato
E eu choro que nem uma boneca vagabunda,
Implorando um pouco de paz...
Um pouco de gás...
São três da madrugada
E ela nunca tomou nota
Do amor que guardei só pra ela
E que secou feito leite estragado
São três da madrugada, bicho
Eu já andei pra caralho
E tô tão cansado
Que cortaria um braço
Pra me sentir mais leve
São três da madrugada, Torquato
E eu rezo a você
Uma reza louca,
Descabelado, desgrenhado,
Babando sangue pelo canto da boca
São três da madrugada
Pobres de nós, Torquato
E meu coração vazio não vale, nunca valeu, nem
Nunca valerá nada
São três da madrugada, Torquato
E eu choro que nem uma boneca vagabunda,
Implorando um pouco de paz...
Um pouco de gás...
São três da madrugada
E ela nunca tomou nota
Do amor que guardei só pra ela
E que secou feito leite estragado
São três da madrugada, bicho
Eu já andei pra caralho
E tô tão cansado
Que cortaria um braço
Pra me sentir mais leve
São três da madrugada, Torquato
E eu rezo a você
Uma reza louca,
Descabelado, desgrenhado,
Babando sangue pelo canto da boca
São três da madrugada
Pobres de nós, Torquato
Saturday, April 09, 2005
La Vie En Rose
Meu deus, onde foi que deixei minha vida?
Parece ter sumido com meus brinquedos
Através do buraco negro por onde foi minha infância...
Talvez tenha escorrido dos meus olhos,
Rolado pelo meu rosto
E encharcado a fronha,
Junto com lágrimas de raiva da pré-adolescência...
Nas casas dos amigos
Cobertos pela poeira do tempo?
Onde foi que me perdi de mim?
Nos banheiros, desesperado, tentando me recompor
Para retornar à mesa e aos amigos?
Nas pontas atiradas pelas janelas
Dos carros nas estradas?
Nos copos de vodca?
No sexo? Nas drogas? No rock'n'roll?
Quando foi exatamente que minha vida se obscureceu?
Depois de que reunião? Em que aparelho?
Depois de qual beijo?
Em que sessão de psicanálise
Exorcizando amores fracassados?
Em que medo sentido?
Quando, diabos, deixei de existir
Para tornar-me esfinge de mim mesmo
E devorar-me
Autofagicamente?
Parece ter sumido com meus brinquedos
Através do buraco negro por onde foi minha infância...
Talvez tenha escorrido dos meus olhos,
Rolado pelo meu rosto
E encharcado a fronha,
Junto com lágrimas de raiva da pré-adolescência...
Nas casas dos amigos
Cobertos pela poeira do tempo?
Onde foi que me perdi de mim?
Nos banheiros, desesperado, tentando me recompor
Para retornar à mesa e aos amigos?
Nas pontas atiradas pelas janelas
Dos carros nas estradas?
Nos copos de vodca?
No sexo? Nas drogas? No rock'n'roll?
Quando foi exatamente que minha vida se obscureceu?
Depois de que reunião? Em que aparelho?
Depois de qual beijo?
Em que sessão de psicanálise
Exorcizando amores fracassados?
Em que medo sentido?
Quando, diabos, deixei de existir
Para tornar-me esfinge de mim mesmo
E devorar-me
Autofagicamente?
Saturday, April 02, 2005
Remendos do Dia
Queria devolver tua alma
E fingir que nada de teu ficou em mim
Nem esse cansaço de me saber covarde
Nem essa dor de me fazer algoz
Queria devolver tua alegria
E fugir, que nada de meu ficou em ti
Nem esses olhos que te sabem frágil
Nem essas asas que te cortam a carne
Mas o mundo me chama
E o mal está feito...
E nem mil remendos
Consertariam o dia estilhaçado
E fingir que nada de teu ficou em mim
Nem esse cansaço de me saber covarde
Nem essa dor de me fazer algoz
Queria devolver tua alegria
E fugir, que nada de meu ficou em ti
Nem esses olhos que te sabem frágil
Nem essas asas que te cortam a carne
Mas o mundo me chama
E o mal está feito...
E nem mil remendos
Consertariam o dia estilhaçado
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