Alguns já nascem com defeito de fábrica, amor
É assim que eu sou
E esse sorriso que ilumina tudo
Não é senão o avesso do choro convulsivo sobre o próprio vômito
E é essa a moeda rara que te dou
Tuesday, December 01, 2009
Tuesday, May 26, 2009
Tuesday, April 07, 2009
Hoje as barcas saem da praia
E vão pro mar, em Salvador
É dia dois de fevereiro
É dia de Iemanjá!
Hoje na praia, em Itacuruçá
A imagem da mãe bonita
Recebe as oferendas de seus filhos.
Iemanjá, que dá e toma
E que quando se aborrece
Custa a perdoar
Iemanjá, de todas as velas
Iemanjá, dos que vêm
E dos que vão pra nunca mais
E vão pro mar, em Salvador
É dia dois de fevereiro
É dia de Iemanjá!
Hoje na praia, em Itacuruçá
A imagem da mãe bonita
Recebe as oferendas de seus filhos.
Iemanjá, que dá e toma
E que quando se aborrece
Custa a perdoar
Iemanjá, de todas as velas
Iemanjá, dos que vêm
E dos que vão pra nunca mais
Monday, March 02, 2009
Friday, October 24, 2008
Em Fortaleza, sobre lo mar
(barcas novas?)
A ambigüidade precisa
das palavras
O fluxo estabilizador
das ondas
Trajetórias
de aproximações e afastamentos
Vagas suficientes
para o vago
Vagas o suficiente
para o encontro
A ambigüidade precisa
das palavras
O fluxo estabilizador
das ondas
Trajetórias
de aproximações e afastamentos
Vagas suficientes
para o vago
Vagas o suficiente
para o encontro
Tuesday, September 16, 2008
Peace Of My Heart
Quero abrir meu coração
Pra tudo o que vier
Mostrar aurículas e ventrículos
Esguichar sangue sorridente
Quero você vermelha bebendo
Cada gota do que sou
Entrando em mim assim
Feito ar na traquéia
Tingindo de rosa
A massa cinzenta do meu crânio aberto
Miolos à milanesa
Have just a little piece of my mind, baby
Pra você me devorar
Eu no teu sexo e você no meu
Regurgitando nossa paz turbulenta de paixão,
Quero abrir teu coração
Pra tudo o que vier
Mostrar aurículas e ventrículos
Esguichar sangue sorridente
Quero você vermelha bebendo
Cada gota do que sou
Entrando em mim assim
Feito ar na traquéia
Tingindo de rosa
A massa cinzenta do meu crânio aberto
Miolos à milanesa
Have just a little piece of my mind, baby
Pra você me devorar
Eu no teu sexo e você no meu
Regurgitando nossa paz turbulenta de paixão,
Quero abrir teu coração
Tuesday, August 19, 2008
Carta da Japuíba
Fica decretado que todos os erros do passado
Ficarão no passado
E os acertos se prolongarão
Até a eternidade
Fica decretado que todo adulto brincará com crianças
Ao menos duas vezes por semana
Devendo essa freqüência ser aumentada
Até que não se possa mais separar o adulto da criança
Fica decretado ainda que a solidariedade
Será o princípio que governará o mundo
E que todo amor ao acabar
Será convertido automaticamente em amizade
Fica decretado por fim que o sexo
Será uma brincadeira feliz entre crianças que cresceram
Sendo os casos omissos resolvidos
Por consulta ao Estatuto do Homem, de Thiago de Mello
Ficarão no passado
E os acertos se prolongarão
Até a eternidade
Fica decretado que todo adulto brincará com crianças
Ao menos duas vezes por semana
Devendo essa freqüência ser aumentada
Até que não se possa mais separar o adulto da criança
Fica decretado ainda que a solidariedade
Será o princípio que governará o mundo
E que todo amor ao acabar
Será convertido automaticamente em amizade
Fica decretado por fim que o sexo
Será uma brincadeira feliz entre crianças que cresceram
Sendo os casos omissos resolvidos
Por consulta ao Estatuto do Homem, de Thiago de Mello
Friday, August 15, 2008
Monday, August 11, 2008
Thursday, July 17, 2008
Tuesday, June 24, 2008
EVOÉ!
Lennon & McCartney
Paulinho da Viola
Tardes de sábado
Papos, cores e sons
Filmes de Woody Allen
Anos Incríveis, Coppola
Chopps amarelinhos
Laços e Porcos com Asas
Circos voadores, celsos e lobos
E o tempo em que eu acreditava
Carmos, marias e cláudias
E Caio Fernando Abreu
Aulas e beijos roubados
Stratford-Upon-Avon
Milagres em que só eu acredito
E o teu sorriso perfeito
E tudo o que eu não digo
Por carência de papel e memória
Cirandas na Costa Verde
E o gosto do teu abraço
A ser continuado...
Paulinho da Viola
Tardes de sábado
Papos, cores e sons
Filmes de Woody Allen
Anos Incríveis, Coppola
Chopps amarelinhos
Laços e Porcos com Asas
Circos voadores, celsos e lobos
E o tempo em que eu acreditava
Carmos, marias e cláudias
E Caio Fernando Abreu
Aulas e beijos roubados
Stratford-Upon-Avon
Milagres em que só eu acredito
E o teu sorriso perfeito
E tudo o que eu não digo
Por carência de papel e memória
Cirandas na Costa Verde
E o gosto do teu abraço
A ser continuado...
Wednesday, June 04, 2008
No Ventre da Aranha
Que rede esta em que agora me percebo?
Anti-útero
Onde buscava abrigo
Irresistível
E em meu vôo matei tantos seres
Só pra chegar
Ali onde tudo mudaria
Quieto espero os meses
Nutrindo o que me desfaz
Decompondo-me em lenta gestação
Onde a buceta que me faria de novo menino?
Não há, meu Deus,
Não há!
Anti-útero
Onde buscava abrigo
Irresistível
E em meu vôo matei tantos seres
Só pra chegar
Ali onde tudo mudaria
Quieto espero os meses
Nutrindo o que me desfaz
Decompondo-me em lenta gestação
Onde a buceta que me faria de novo menino?
Não há, meu Deus,
Não há!
Monday, June 02, 2008
Canção Familiar
Todo homem é uma puta
Toda mulher canalha
E é bom que seja assim
Crescei e multiplicai-vos
Todo gozo é uma lágrima
Toda dor tem seu gemido
E há limites, meu Deus, limites!
Bem-aventurados os medíocres
Bem-aventurados os que cultivam
Essa felicidade meia-boca
Cerebral
Esse apagamento (apartamento?) de tantos desvios
Essa história reescrita
Com seus mortos no armário
Bem-aventurada seja sua consciência tranqüila
E a suprema alegria
De uma TV sonolenta em tantos longos domingos
Toda mulher canalha
E é bom que seja assim
Crescei e multiplicai-vos
Todo gozo é uma lágrima
Toda dor tem seu gemido
E há limites, meu Deus, limites!
Bem-aventurados os medíocres
Bem-aventurados os que cultivam
Essa felicidade meia-boca
Cerebral
Esse apagamento (apartamento?) de tantos desvios
Essa história reescrita
Com seus mortos no armário
Bem-aventurada seja sua consciência tranqüila
E a suprema alegria
De uma TV sonolenta em tantos longos domingos
Saturday, May 17, 2008
Saturday, May 10, 2008
Sobre Heróis e Tumbas
Vamos passear no cemitério
Meu amor
Que o dia está lindo
E há tempo a perder
Vamos sentar junto às lápides
Declamar Jim Morrison
Rimbaud e Baudelaire
Vamos fazer pose
E pontificar
Até não mais poder
Que o dia está lindo
E a vida é nada
E há que matar o tempo
Além da TV
Vamos passear no cemitério
Meu amor
Meu amor
Que o dia está lindo
E há tempo a perder
Vamos sentar junto às lápides
Declamar Jim Morrison
Rimbaud e Baudelaire
Vamos fazer pose
E pontificar
Até não mais poder
Que o dia está lindo
E a vida é nada
E há que matar o tempo
Além da TV
Vamos passear no cemitério
Meu amor
Monday, May 05, 2008
ENOUGH IS ENOUGH
Não sei muito
Sei que amo
Tudo o mais é irrelevante
Mesmo a quem amo
Ou se sou amado
Sei que amo
E isso basta
Sei que amo
Tudo o mais é irrelevante
Mesmo a quem amo
Ou se sou amado
Sei que amo
E isso basta
Sunday, May 04, 2008
Futuro
Do que precisas, meu nobre amigo
É do futuro
No passado, já erraste e acertaste demais
Do que precisas, meu nobre amigo
É do futuro
É hora de acertar e errar outra vez
Futuro, futuro
O presente não existe
Intangível
Entre o segundo que se foi
E a expectativa logo frustrada
Futuro, futuro
Do que precisas, meu nobre amigo
É do futuro
É do futuro
No passado, já erraste e acertaste demais
Do que precisas, meu nobre amigo
É do futuro
É hora de acertar e errar outra vez
Futuro, futuro
O presente não existe
Intangível
Entre o segundo que se foi
E a expectativa logo frustrada
Futuro, futuro
Do que precisas, meu nobre amigo
É do futuro
Monday, April 28, 2008
Friday, April 25, 2008
Infantaria
Lá está o regimento de infantaria
Crianças brincando de soldado
Como convém a infantes
Aqui fora o mundo as espera
Sem final feliz
Crianças brincando de soldado
Como convém a infantes
Aqui fora o mundo as espera
Sem final feliz
Saturday, April 19, 2008
Sonata para um Homem Bom
(para um grande amigo)
Homens bons são de carne e osso
Também mentem
Também traem
São capazes de atos mesquinhos
E até de inveja
Mas homens bons são bons
Porque generosos
Capazes de enxergar para além de si mesmos
E do ódio
Que por vezes os toma
Homens bons choram no cinema
E sonham
Acima de tudo, sonham
Sonhos de paz
Para além do próprio umbigo
Homens bons são de carne e osso
Também mentem
Também traem
São capazes de atos mesquinhos
E até de inveja
Mas homens bons são bons
Porque generosos
Capazes de enxergar para além de si mesmos
E do ódio
Que por vezes os toma
Homens bons choram no cinema
E sonham
Acima de tudo, sonham
Sonhos de paz
Para além do próprio umbigo
Tuesday, April 15, 2008
Necromancia
Quantas vezes desisti
Outras tantas ressuscitei
Quantas vezes morto-vivo
Em busca de sangue
Tantas vezes eu menti
Quantas tantas renunciei
Tantas vezes insinuei olhares
Em um ante-anti-gozo
Desassossego quieto que
Mora me mim
Gritos que habitam meu olhar
Raramente minha garganta
Esta é plena de pássaros
Melodiosos
Vez por outra desafinados
Com o bico tinto de carmim
Outras tantas ressuscitei
Quantas vezes morto-vivo
Em busca de sangue
Tantas vezes eu menti
Quantas tantas renunciei
Tantas vezes insinuei olhares
Em um ante-anti-gozo
Desassossego quieto que
Mora me mim
Gritos que habitam meu olhar
Raramente minha garganta
Esta é plena de pássaros
Melodiosos
Vez por outra desafinados
Com o bico tinto de carmim
Wednesday, April 02, 2008
Portador de Necessidades Espaciais
Se me faltam asas
Me sobra desejo
Se me faltam foguetes
Me sobra tesão
Delírios
Sonhos lindos
Sonhos tortos
Sonhos
Lá vai minha cabeça flutuando rumo ao Sol
Me sobra desejo
Se me faltam foguetes
Me sobra tesão
Delírios
Sonhos lindos
Sonhos tortos
Sonhos
Lá vai minha cabeça flutuando rumo ao Sol
Sunday, March 30, 2008
Dia Indeciso
Ê diazinho indeciso
Feito as cordas do meu coração
Ora oitava acima sol alto
Ora a chuva de um mi bordão
Ê coração esquisito
Feito as cordas do meu violão
Insatisfeito com tudo e com todos
Sempre torto de tanta paixão
Da janela da bela cidade
Hospital, cemitério e
Contramão
Da casa que agora é minha
Saudades futuras
De nova ilusão
Feito as cordas do meu coração
Ora oitava acima sol alto
Ora a chuva de um mi bordão
Ê coração esquisito
Feito as cordas do meu violão
Insatisfeito com tudo e com todos
Sempre torto de tanta paixão
Da janela da bela cidade
Hospital, cemitério e
Contramão
Da casa que agora é minha
Saudades futuras
De nova ilusão
Tuesday, March 18, 2008
ATÉ A MANHÃ
Deus abençoe os que apostam
Os que arriscam
Os que magoam sem querer magoar
Os que amam demais
Deus abençoe toda malícia inocente
E a ausência de maldade
Toda vontade
Todo desejo
Deus abençoe os que não guardam rancor
E guarde os que tentam
Entender quem não são
Pois deles é a Lua que o amor acende
Os que arriscam
Os que magoam sem querer magoar
Os que amam demais
Deus abençoe toda malícia inocente
E a ausência de maldade
Toda vontade
Todo desejo
Deus abençoe os que não guardam rancor
E guarde os que tentam
Entender quem não são
Pois deles é a Lua que o amor acende
Wednesday, February 20, 2008
Dias Bipolares
Agora que você descobriu
Que ser feliz não é fácil
Eu desejo a você um amor assim
Real e etéreo
De dias felizes e outros nem tanto
Porque agora você descobriu
Que ser feliz não é fácil
E a vida escorre pelo canto da boca
Que ser feliz não é fácil
Eu desejo a você um amor assim
Real e etéreo
De dias felizes e outros nem tanto
Porque agora você descobriu
Que ser feliz não é fácil
E a vida escorre pelo canto da boca
Sunday, January 13, 2008
Texting
Não é fobia de altura
É a atração do abismo
Estou no meu elemento
A tempestade é o meu elemento
E aqui eu sou feliz
Não é medo da morte
É o tesão do risco
A perda é sina de quem ama
E só assim eu sou
Feliz por ter sido
Não é a certeza da solidão
É a leveza da esperança
E todas as suas toneladas
É a atração do abismo
Estou no meu elemento
A tempestade é o meu elemento
E aqui eu sou feliz
Não é medo da morte
É o tesão do risco
A perda é sina de quem ama
E só assim eu sou
Feliz por ter sido
Não é a certeza da solidão
É a leveza da esperança
E todas as suas toneladas
Wednesday, January 09, 2008
Onde
Em dias como hoje
Caras como eu
Queriam nem ter nascido
Em dias como hoje
Caras como eu
Tentam não escrever
Poemas confessionais
Em dias como hoje
Caras como eu
Queriam ainda
Poder te ligar
Em dias como hoje
Caras como eu
Já não sabem mais
Dias como hoje,
Caras como eu...
Caras como eu
Queriam nem ter nascido
Em dias como hoje
Caras como eu
Tentam não escrever
Poemas confessionais
Em dias como hoje
Caras como eu
Queriam ainda
Poder te ligar
Em dias como hoje
Caras como eu
Já não sabem mais
Dias como hoje,
Caras como eu...
Tuesday, January 01, 2008
Friday, November 23, 2007
A QUE SERÁ QUE SE DESTINA?
Entre mortos e os que ainda virão
Existimos
Criamos passados e os projetamos
No futuro
A que será que se destinam?
Nossas pequenas vidas
Com suas pequenas tragédias e
Pequenos milagres
Com sua mediocridade patética
E seus momentos de plenitude
A que será que se destina?
Eu ter amado tanto
Errado tanto
Sofrido e feito sofrer
A que se destinam?
Boas e más intenções
Rigidez cadavérica de princípios
E complacência desmedida
Com os próprios erros
A que será que se destina?
A beleza em cada pequena coisa
E a vergonha revelada
Em um estranho esplendor
A que será que nos destinamos?
A construir pontes?
A cimentar muros?
A pedir perdão um milhão de vezes?
A decepcionar quem entende tudo
E quem não entende nada?
A plantar livro e escrever árvore?
A criar um filho feliz?
Talvez...
Ou talvez apenas a passar
Sem alarde
Pelo único milagre possível
Existimos
Criamos passados e os projetamos
No futuro
A que será que se destinam?
Nossas pequenas vidas
Com suas pequenas tragédias e
Pequenos milagres
Com sua mediocridade patética
E seus momentos de plenitude
A que será que se destina?
Eu ter amado tanto
Errado tanto
Sofrido e feito sofrer
A que se destinam?
Boas e más intenções
Rigidez cadavérica de princípios
E complacência desmedida
Com os próprios erros
A que será que se destina?
A beleza em cada pequena coisa
E a vergonha revelada
Em um estranho esplendor
A que será que nos destinamos?
A construir pontes?
A cimentar muros?
A pedir perdão um milhão de vezes?
A decepcionar quem entende tudo
E quem não entende nada?
A plantar livro e escrever árvore?
A criar um filho feliz?
Talvez...
Ou talvez apenas a passar
Sem alarde
Pelo único milagre possível
Wednesday, November 14, 2007
PLEADING GUILTY (Good Intentions)
I declare myself guilty
Of loving too much
Of unacceptable love
And of murdering others' love
Towards myself
I declare myself guilty
Of deceiving and lying to myself
Of desrespecting my own feelings
And of making things worse
Whenever I tried to make them right
I accept the charges
That I did kill the hearts
Of others and my own
That I murdered beauty and innocence
In others and myself
That I shamefully killed love
In the name of love
However, I beg not for merce nor redemption
I've been doing my sentence
As quietly as I can
43 years have already been done
And many more are expected to come
And many more are expected to come
Of loving too much
Of unacceptable love
And of murdering others' love
Towards myself
I declare myself guilty
Of deceiving and lying to myself
Of desrespecting my own feelings
And of making things worse
Whenever I tried to make them right
I accept the charges
That I did kill the hearts
Of others and my own
That I murdered beauty and innocence
In others and myself
That I shamefully killed love
In the name of love
However, I beg not for merce nor redemption
I've been doing my sentence
As quietly as I can
43 years have already been done
And many more are expected to come
And many more are expected to come
Tuesday, November 06, 2007
DOR DE MENINO NESSA HORA
Nem aquilo a que me entrego
Nem alegria de cais de porto
Nem a cor do teu sorriso
Nem a tua boceta nua
Nem as flores do que quis
Nem poemas que não fiz
Nem as árvores desenhadas
Nem o meu cacete duro
Nem casinha nem varanda
Nem teus fogos e artifícios
Nem minha língua na tua
Nem mil beijos de amor
Nada me consola nessa hora,
Nada!
Só dor
Só dor de menino sem razão
Nem alegria de cais de porto
Nem a cor do teu sorriso
Nem a tua boceta nua
Nem as flores do que quis
Nem poemas que não fiz
Nem as árvores desenhadas
Nem o meu cacete duro
Nem casinha nem varanda
Nem teus fogos e artifícios
Nem minha língua na tua
Nem mil beijos de amor
Nada me consola nessa hora,
Nada!
Só dor
Só dor de menino sem razão
Saturday, October 06, 2007
Eu Vi o Dia Amanhecer em Liverpool
Eu vi o dia amanhecer em Liverpool
E o seu olhar estava
No meu olhar
Que já não era mais meu
Mas de um garoto
Grávido de tantos sonhos
Eu vi o dia amanhecer em Liverpool
Fazia sol, ventava frio
E em todo o caminho
Das docas de verdade
Feias e produtivas com seus odores
Até Albert Dock e
Seus encantos de turista
O peito daquele garoto
Estava tão cheio que
O Mersey parecia caber
E não caber nele a um só tempo
Eu vi o dia amanhecer em Liverpool
E já sem idade
Celebrei com o garoto
No novo Cavern
Aos goles, acordes e lágrimas de
Tantos Johns
Eu vi o dia amanhecer em Liverpool
E foi como se a vida,
Dolorosamente bela,
Dançasse pra mim
Uma dança de subúrbio
Do Rio de Janeiro
Eu vi o dia amanhecer em Liverpool
E o seu olhar estava
No meu olhar
Que já não era mais meu
Mas de um garoto
Grávido de tantos sonhos
Eu vi o dia amanhecer em Liverpool
Fazia sol, ventava frio
E em todo o caminho
Das docas de verdade
Feias e produtivas com seus odores
Até Albert Dock e
Seus encantos de turista
O peito daquele garoto
Estava tão cheio que
O Mersey parecia caber
E não caber nele a um só tempo
Eu vi o dia amanhecer em Liverpool
E já sem idade
Celebrei com o garoto
No novo Cavern
Aos goles, acordes e lágrimas de
Tantos Johns
Eu vi o dia amanhecer em Liverpool
E foi como se a vida,
Dolorosamente bela,
Dançasse pra mim
Uma dança de subúrbio
Do Rio de Janeiro
Eu vi o dia amanhecer em Liverpool
Monday, October 01, 2007
Em Setembro, no Velho Continente
Em setembro, no velho continente
As folhas se vão
No último dia de setembro
No velho continente
O dourado do chão
Esconde perdas irreversíveis
Que os outubros que virão
Não podem curar
Pois estamos no velho continente
E tudo só tende a se perder
Em setembro, no velho continente
No último dia de setembro
No velho continente
Algo de precioso se foi pra sempre de mim
As folhas se vão
No último dia de setembro
No velho continente
O dourado do chão
Esconde perdas irreversíveis
Que os outubros que virão
Não podem curar
Pois estamos no velho continente
E tudo só tende a se perder
Em setembro, no velho continente
No último dia de setembro
No velho continente
Algo de precioso se foi pra sempre de mim
Saturday, September 29, 2007
Tanta Gente
Tanta gente
Diferente
Protegendo a cabeça
Projetando o coração
Tanta gente
Diferente
Tanta gente
Tanta gente
Reluzente
Tantas cores
Tantos trajes
Tanta gente
Diferente
Tanta gente
Tanta gente
Tão igual e diferente
Tão central e periférica
Tantas línguas, tantos beijos
Tanta gente
Diferente
Tanta gente
Diferente
Protegendo a cabeça
Projetando o coração
Tanta gente
Diferente
Tanta gente
Tanta gente
Reluzente
Tantas cores
Tantos trajes
Tanta gente
Diferente
Tanta gente
Tanta gente
Tão igual e diferente
Tão central e periférica
Tantas línguas, tantos beijos
Tanta gente
Diferente
Tanta gente
Saturday, September 22, 2007
O Profeta
E o profeta chegou para espalhar amor
Love is all you need, little darling
Meu amor, ele é demais, nunca é de menos
Amor é pra se dar
E o profeta espalhava amor
Love, love, love
Da cabeça aos pés, sweet darling
Qualquer maneira de amor vale a pena
Mas que amor é esse
Assim só leveza
Amor sancionado é amor pesado
Feito de sombras e argolas
O profeta é o monstro
Peguem o monstro
Queimem o monstro
Love is all you need, little darling
Meu amor, ele é demais, nunca é de menos
Amor é pra se dar
E o profeta espalhava amor
Love, love, love
Da cabeça aos pés, sweet darling
Qualquer maneira de amor vale a pena
Mas que amor é esse
Assim só leveza
Amor sancionado é amor pesado
Feito de sombras e argolas
O profeta é o monstro
Peguem o monstro
Queimem o monstro
Wednesday, September 05, 2007
O Monstro
Peguem a bruxa
Queimem a bruxa
Ela ama demais
Não pode
Só pode amar um
Peguem o monstro
Queimem o monstro
Ele ama demais
Não pode
Só pode amar uma
A bruxa se chama amor
O monstro se chama amor
O amor se chama liberdade
Queimem a bruxa
Ela ama demais
Não pode
Só pode amar um
Peguem o monstro
Queimem o monstro
Ele ama demais
Não pode
Só pode amar uma
A bruxa se chama amor
O monstro se chama amor
O amor se chama liberdade
Saturday, August 18, 2007
Eu pinto a cara pra você
Dou meu corpo pra você
Decoro versos
E jogo malabares pra você
Mas você não pode ver
Não tem tempo
Está muito ocupado
Pintando a cara para alguém
Dando o seu corpo para alguém
Escrevendo versos
E vendendo seu tempo para alguém
Alguém que não tem rosto
Nem amor nem poesia
Alguém que não é como eu e você
Dou meu corpo pra você
Decoro versos
E jogo malabares pra você
Mas você não pode ver
Não tem tempo
Está muito ocupado
Pintando a cara para alguém
Dando o seu corpo para alguém
Escrevendo versos
E vendendo seu tempo para alguém
Alguém que não tem rosto
Nem amor nem poesia
Alguém que não é como eu e você
Wednesday, August 08, 2007
gente
é de gente que eu gosto
e que eu preciso
pra poder viver
gente que retribui sorriso
instintivamente
mostrando que de perto
quase ninguém é boçal
nem os arrogantes
nem os crudelissimamente violentos
dados o tempo e o espaço corretos
conseguem suprimir sua humanidade
de gente
gente que cria e recria o mundo
a cada dia
gente de quem em última análise
toda realidade depende
gente piegas como eu
ou esperta como você
gente boa e gente má
não
gente
apenas
gente
há
é de gente que eu gosto
e que eu preciso
pra poder viver
gente que retribui sorriso
instintivamente
mostrando que de perto
quase ninguém é boçal
nem os arrogantes
nem os crudelissimamente violentos
dados o tempo e o espaço corretos
conseguem suprimir sua humanidade
de gente
gente que cria e recria o mundo
a cada dia
gente de quem em última análise
toda realidade depende
gente piegas como eu
ou esperta como você
gente boa e gente má
não
gente
apenas
gente
há
Thursday, July 19, 2007
Sunday, July 01, 2007
Wednesday, June 13, 2007
são nove horas
e agora sim eu nasci
na boca tristeza de menino velho
arrancado modernamente do chão
fundador de futuros interrompidos
são nove horas
e agora sim eu nasci
e o vazio de tantas presenças
ameaça rolar do meu rosto
política de afetos
são nove horas
e agora sim eu nasci
você está aqui
onde está você?
são nove horas
e agora sim eu nasci
e agora sim eu nasci
na boca tristeza de menino velho
arrancado modernamente do chão
fundador de futuros interrompidos
são nove horas
e agora sim eu nasci
e o vazio de tantas presenças
ameaça rolar do meu rosto
política de afetos
são nove horas
e agora sim eu nasci
você está aqui
onde está você?
são nove horas
e agora sim eu nasci
Wednesday, June 06, 2007
Friday, May 04, 2007
Saturday, April 21, 2007
A CIDADE SAI DE MIM
(para Angra dos Reis)
A cidade sai de mim
Lentamente
Como sangue que escorre
Lento e quente
Do ferimento
A cidade sai de mim
Lentamente
Como lágrima que escorre
Lenta e quente
Do coração
A cidade sai de mim
Rascante
Como amor impotente
Seco e frio
De tristeza
A cidade não sai de mim
A cidade sai de mim
Lentamente
Como sangue que escorre
Lento e quente
Do ferimento
A cidade sai de mim
Lentamente
Como lágrima que escorre
Lenta e quente
Do coração
A cidade sai de mim
Rascante
Como amor impotente
Seco e frio
De tristeza
A cidade não sai de mim
Friday, April 13, 2007
FIM DE LINHA
Não leio mais as previsões pro teu signo
No horóscopo do jornal
Nem espero em vão por um comentário teu
Nos poemas do meu blog
Não entupo mais teu celular
Com mensagens desesperadas
Nem te imponho presentes,
Canções ou filmes pirateados
Não te indico mais livros
Nem te empresto os meus
Claramente, se ainda estás viva
Então quem morreu fui eu
No horóscopo do jornal
Nem espero em vão por um comentário teu
Nos poemas do meu blog
Não entupo mais teu celular
Com mensagens desesperadas
Nem te imponho presentes,
Canções ou filmes pirateados
Não te indico mais livros
Nem te empresto os meus
Claramente, se ainda estás viva
Então quem morreu fui eu
Saturday, March 31, 2007
Wednesday, March 21, 2007
Eternidade Breve
Ontem teu rosto me veio assim
Feito um sonho bom
Sem remorsos nem esperança
Somente a eternidade do breve instante
Feito um sonho bom
Sem remorsos nem esperança
Somente a eternidade do breve instante
Saturday, March 10, 2007
Assassinato
Você não vê
O sangue manchando o teclado
Nem pode adivinhar na tela
Os restos mortais
De tantos sorrisos
O sangue manchando o teclado
Nem pode adivinhar na tela
Os restos mortais
De tantos sorrisos
Saturday, February 03, 2007
Lembranças do Futuro
Teus azuis ainda estão
em tudo o que ouço
E teu gosto teima em brilhar
em vagas imagens de tanta memória
Nada a fazer
e tudo por ser feito
Pois tudo o que foi feito
ainda está por fazer
Lembranças de futuros possíveis,
estados eternos de vir a ser
em tudo o que ouço
E teu gosto teima em brilhar
em vagas imagens de tanta memória
Nada a fazer
e tudo por ser feito
Pois tudo o que foi feito
ainda está por fazer
Lembranças de futuros possíveis,
estados eternos de vir a ser
Saturday, January 27, 2007
EPPUR SI MUOVE
Não sei o que esse meu coração tem
Que não consegue se aquietar
Alma de artista sem talento
Palma de velas e tormentas
Eu vivo como quem morre
Eu morro como quem nasce
Que não consegue se aquietar
Alma de artista sem talento
Palma de velas e tormentas
Eu vivo como quem morre
Eu morro como quem nasce
Saturday, January 13, 2007
OUROANA
(Sampleando Saramago)
Ouroana chama-se ela
Em quem não pára de pensar
E se vê-la é tão raro
Qualquer letra vira seu signo
E isso basta para o encontro
Pois só há que temer o fim se ele vier
Antes que possa tocar-lhe o ouro
Ouro que lhe toca
A cada toque de seus ícones
Ouroana, Maria Sara, Anamor
Magia da palavra, do nome, da carne
Ouroana, como te chamas?
Maria Sara, Anamor
Ouroana chama-se ela
Em quem não pára de pensar
E se vê-la é tão raro
Qualquer letra vira seu signo
E isso basta para o encontro
Pois só há que temer o fim se ele vier
Antes que possa tocar-lhe o ouro
Ouro que lhe toca
A cada toque de seus ícones
Ouroana, Maria Sara, Anamor
Magia da palavra, do nome, da carne
Ouroana, como te chamas?
Maria Sara, Anamor
Saturday, January 06, 2007
A 4 Mãos
(Humano, Demasiadamente Humano)
Nada estava escrito
No M de nossas palmas
E ainda assim o pudemos ler
Não havia quaisquer sinais
E os plantamos
Em cada esquina
E nas estrelas só se via
O brilho projetado
Emprestado do nosso olhar
Nossa linda, linda história
O destino não a escreveu
Mas por querer o fizemos você e eu
Nada estava escrito
No M de nossas palmas
E ainda assim o pudemos ler
Não havia quaisquer sinais
E os plantamos
Em cada esquina
E nas estrelas só se via
O brilho projetado
Emprestado do nosso olhar
Nossa linda, linda história
O destino não a escreveu
Mas por querer o fizemos você e eu
Saturday, December 23, 2006
Pequenos Milagres
Minhas palavras não guardam mistérios
Nenhuma essência por trás do opaco
E, no entanto,
Tentam agarrar milagres
Sentidos que empresto
Ao eterno retorno do teu sorriso
Nenhuma essência por trás do opaco
E, no entanto,
Tentam agarrar milagres
Sentidos que empresto
Ao eterno retorno do teu sorriso
Saturday, December 16, 2006
FALTA
Alma
Ar
Linha da vida
Mão pequena
Dedos finos
Meu sorriso
Palma
Par
Vinho tinto
Pele alva
Lábios vivos
Eu menino
Falta
Faz
E sempre fará
A coragem que não tive
Ar
Linha da vida
Mão pequena
Dedos finos
Meu sorriso
Palma
Par
Vinho tinto
Pele alva
Lábios vivos
Eu menino
Falta
Faz
E sempre fará
A coragem que não tive
Monday, November 06, 2006
Lugar Comum
O que desejo para nós
É um lugar comum
Nem mais nem menos
Que tempo já não temos
O que desejo para ti
É uma alegria besta
Mesmo com tantos literatos
De quinta e sexta
O que desejo para mim
É fim de comédia romântica
Que pra quem ama
Melhor que Greenaway é um belo drama
O que desejo, enfim
É passeio de mãos dadas
Em quinta ensolarada
Bola colorida e dragão chinês
O que desejo pra vocês
É ver de boa vista
Simples vôo de isopor
Levando meus humores para além do seu pudor
É um lugar comum
Nem mais nem menos
Que tempo já não temos
O que desejo para ti
É uma alegria besta
Mesmo com tantos literatos
De quinta e sexta
O que desejo para mim
É fim de comédia romântica
Que pra quem ama
Melhor que Greenaway é um belo drama
O que desejo, enfim
É passeio de mãos dadas
Em quinta ensolarada
Bola colorida e dragão chinês
O que desejo pra vocês
É ver de boa vista
Simples vôo de isopor
Levando meus humores para além do seu pudor
Saturday, November 04, 2006
Anatomia
Ar te faço
E te respiro
Te processo como posso
Enquanto escapas dos meus olhos
Meu olfato denuncia
A perfeição desse teu nome
Cujo toque me remete
Ao colo úmido de Iemanjá
Onde repouso minha mente
E o cansaço de te amar
Me faz de novo semente
De um caminhar imponderável
E te respiro
Te processo como posso
Enquanto escapas dos meus olhos
Meu olfato denuncia
A perfeição desse teu nome
Cujo toque me remete
Ao colo úmido de Iemanjá
Onde repouso minha mente
E o cansaço de te amar
Me faz de novo semente
De um caminhar imponderável
Saturday, October 07, 2006
Ainda Torto
Escrevo-me e reescrevo-me
em cada verso que sangra surdo
dentro de mim
ou brota líquido do meu olhar
Um poeta não se faz com versos
É o risco de se desconstruir
e reinventar a cada salto
no escuro e sem rede
Pois sobre viver e sobre escrever
de cachorros vivos ou mortos
mais vale a mais valia da ironia
Poesia, vida
Ao que parece não há
Onde a saída?
Pra mim chega!
em cada verso que sangra surdo
dentro de mim
ou brota líquido do meu olhar
Um poeta não se faz com versos
É o risco de se desconstruir
e reinventar a cada salto
no escuro e sem rede
Pois sobre viver e sobre escrever
de cachorros vivos ou mortos
mais vale a mais valia da ironia
Poesia, vida
Ao que parece não há
Onde a saída?
Pra mim chega!
Sunday, July 09, 2006
Orbitais
Todo amor é para sempre
Ainda que relações acabem
E sejam muitos os amores
Pois todos os amores são para sempre
Todos os encontros são reencontros
Ainda que inaugural seja a fagulha
E único seja o encontro
Pois todo encontro é reencontro
E essa luz que cega e atrai
Não é senão trança
De mil fiapos de brilho
Fiapos de estranhos movimentos
Em que orbitamos uns aos outros
Da gravidade ao infinito
Ainda que relações acabem
E sejam muitos os amores
Pois todos os amores são para sempre
Todos os encontros são reencontros
Ainda que inaugural seja a fagulha
E único seja o encontro
Pois todo encontro é reencontro
E essa luz que cega e atrai
Não é senão trança
De mil fiapos de brilho
Fiapos de estranhos movimentos
Em que orbitamos uns aos outros
Da gravidade ao infinito
Tuesday, June 13, 2006
Amores Líquidos
Amo-te em todos os meus amores
E todos os meus amores brilham no teu olhar
Todos os gostos que provei
São um
E uno é o beijo que a tantas te dei
Múltiplo entrelace
Pernas, braços e almas
Canto daquilo que nunca se consome
Mas que ama
E cujo único epicentro é o amor
Múltiplo, uno e intenso
Leves sejam nossas almas líquidas
Que transbordam de nós
Por tanto amor
E todos os meus amores brilham no teu olhar
Todos os gostos que provei
São um
E uno é o beijo que a tantas te dei
Múltiplo entrelace
Pernas, braços e almas
Canto daquilo que nunca se consome
Mas que ama
E cujo único epicentro é o amor
Múltiplo, uno e intenso
Leves sejam nossas almas líquidas
Que transbordam de nós
Por tanto amor
Saturday, February 11, 2006
Pequenos Infinitos
Me diz agora o que é que eu faço
desse meu amor
Como é que eu volto pra casa
Se minha casa agora é você
O que eu faço da minha história
e da tua dor
E de todos esses lugares comuns
de poesia pequena
de poeta pequeno
Lugares de tempos incertos
e almas errantes
Que sopram em meus ouvidos
estranhos vôos não autorizados
desse meu amor
Como é que eu volto pra casa
Se minha casa agora é você
O que eu faço da minha história
e da tua dor
E de todos esses lugares comuns
de poesia pequena
de poeta pequeno
Lugares de tempos incertos
e almas errantes
Que sopram em meus ouvidos
estranhos vôos não autorizados
Sunday, November 20, 2005
Nada que se supõe definitivo se sustenta
Pois é... eu disse que tinha encerrado o blog, mas aqui estou novamente. Não me comprometo com prazos nem regularidade, mas sempre que tiver um poema novo, vou postar. O de hoje é esse:
QUERO-ME EM TI
Quero o meu sorriso em tua boca
E teu pranto em meu olhar
Quero teus conflitos em meu peito
E a pouca paz que houver pra dar
Quero minha alma entre teus dentes
E teu coração em meu pulsar
Quero tua vida ali em frente
E o mais que venha a transmutar
Quero ser teu enquanto houver presente
E o meu há de ser minha vida em teu voar
Vem brincar, menina linda
Deixa teu sol nascer em mim
QUERO-ME EM TI
Quero o meu sorriso em tua boca
E teu pranto em meu olhar
Quero teus conflitos em meu peito
E a pouca paz que houver pra dar
Quero minha alma entre teus dentes
E teu coração em meu pulsar
Quero tua vida ali em frente
E o mais que venha a transmutar
Quero ser teu enquanto houver presente
E o meu há de ser minha vida em teu voar
Vem brincar, menina linda
Deixa teu sol nascer em mim
Sunday, August 21, 2005
Aniversário & Fim de Linha
Amigos do Poesia Residual,
Em 18 de agosto este blog completou um ano de vida. Durante este ano publicamos um poema "novo" a cada sábado. A idéia era fazer do blog um veículo para poemas ainda inéditos, sobretudo para minha produção mais recente. Contudo, as tarefas do dia-a-dia começaram a se acumular, especialmente depois de me tornar aluno de doutorado do Instituto de Letras da UFF. Assim, passei a ter pouquíssimo tempo para escrever poemas novos. Como conseqüência, os últimos poemas postados eram antigos e até já haviam sido publicados em livro. De qualquer forma, acho que o Poesia Residual cumpriu seu papel como blog. Não pretendo atualizá-lo mais. Meus próximos projetos incluem a transformação do Poesia Residual em livro convencional e a criação de um novo blog, agora para textos em prosa. Assim que tiver novidades, avisarei através de um novo post aqui. Até breve e obrigado pelo carinho.
Ricardo Almeida
Saturday, August 13, 2005
Não Nos Julgue Tão Severamente...
Somos filhos de Guernica e Hiroshima,
Somos filhos de Inês de Castro,
Somos filhos de Romeu e Julieta
E dos crimes passionais...
Somos filhos de Hitler, Reagan e Krushov,
Somos filhos da Santa Inquisição,
Somos filhos de Hendrix, Joplin e Lennon
E da falta de amor...
Somos filhos das esquizofrenias, neuroses e paranóias,
Somos filhos da Censura Federal,
Somos filhos dos pais separados
E dos golpes militares...
Somos teus filhos: Deus Pai Celeste!
Planeta Terra, Século XX, Casa do Sol Nascente.
(Este é um poema antigo, do século passado, como se vê. Mas, estranhamente, ainda o acho atual.)
Somos filhos de Inês de Castro,
Somos filhos de Romeu e Julieta
E dos crimes passionais...
Somos filhos de Hitler, Reagan e Krushov,
Somos filhos da Santa Inquisição,
Somos filhos de Hendrix, Joplin e Lennon
E da falta de amor...
Somos filhos das esquizofrenias, neuroses e paranóias,
Somos filhos da Censura Federal,
Somos filhos dos pais separados
E dos golpes militares...
Somos teus filhos: Deus Pai Celeste!
Planeta Terra, Século XX, Casa do Sol Nascente.
(Este é um poema antigo, do século passado, como se vê. Mas, estranhamente, ainda o acho atual.)
Saturday, August 06, 2005
Tempo Nublado
O tempo está nublado
Já acordou assim
Um tanto nostálgico e entorpecido
Como tivesse tomado uns quantos copos de vodca
Sua nostalgia triste-alegre
Aumenta à medida que a chuva cai
Fina, suave, quase imperceptível
Sumindo como o passado presente
Momento de desespero
Necessidade de suar sangue
No entanto retida
De tanto torpor
A chuva continua sumida
Embora mais intensa
O temporal não desabou
Ficou guardado
Lá dentro
Aparecendo em alguns momentos
Sob diversas formas amorfas
Enfim,
ninguém ligou
ninguém liga
ninguém ligará
Já acordou assim
Um tanto nostálgico e entorpecido
Como tivesse tomado uns quantos copos de vodca
Sua nostalgia triste-alegre
Aumenta à medida que a chuva cai
Fina, suave, quase imperceptível
Sumindo como o passado presente
Momento de desespero
Necessidade de suar sangue
No entanto retida
De tanto torpor
A chuva continua sumida
Embora mais intensa
O temporal não desabou
Ficou guardado
Lá dentro
Aparecendo em alguns momentos
Sob diversas formas amorfas
Enfim,
ninguém ligou
ninguém liga
ninguém ligará
Saturday, July 30, 2005
Poema Confissão (para todos os cegos - ilustres ou não)
Que se dane o que possam pensar da poesia
Eu só quero sentir, sentir, sentir
Que se danem a métrica, a rima, a fôrma
E que se dane o ritmo, Manuel Bandeira
Que se dane a estética antropofágica
Eu só quero vomitar meu sentimento
Meu compromisso é com a vida, com a paixão
Eu amo vocês
Poesia é nudez, Ginsberg?
Que se dane o que é a poesia
Eu quero trepar, gozar
E matar o meu amor às cinco horas da manhã
E ainda que vocês não entendam
Eu amo Oswald, Chacal,
Bandeira e coisa e tal
Mas intocável mesmo
Só substantivo abstrato
E calcinha da professora
Morte ao sindicato dos deuses
Eu quero ser livre
Eu só quero sentir, sentir, sentir
Que se danem a métrica, a rima, a fôrma
E que se dane o ritmo, Manuel Bandeira
Que se dane a estética antropofágica
Eu só quero vomitar meu sentimento
Meu compromisso é com a vida, com a paixão
Eu amo vocês
Poesia é nudez, Ginsberg?
Que se dane o que é a poesia
Eu quero trepar, gozar
E matar o meu amor às cinco horas da manhã
E ainda que vocês não entendam
Eu amo Oswald, Chacal,
Bandeira e coisa e tal
Mas intocável mesmo
Só substantivo abstrato
E calcinha da professora
Morte ao sindicato dos deuses
Eu quero ser livre
Saturday, July 23, 2005
Espreguiçar
De um quarto fechado
Alguém contempla o mundo
Sua visão ultrapassa a fresta da janela entreaberta
Desvia-se das grades de metal
Sobe e pousa num galho de árvore
O Sol arde e queima
No céu
Um de seus raios
Desce, passa por entre as folhas da árvore
Desvia-se das grades de metal
Vence a fresta da janela
E deita-se numa cama
Aquecendo as idéias de seu habitante
Que recolhe sem pressa sua visão
Alguém contempla o mundo
Sua visão ultrapassa a fresta da janela entreaberta
Desvia-se das grades de metal
Sobe e pousa num galho de árvore
O Sol arde e queima
No céu
Um de seus raios
Desce, passa por entre as folhas da árvore
Desvia-se das grades de metal
Vence a fresta da janela
E deita-se numa cama
Aquecendo as idéias de seu habitante
Que recolhe sem pressa sua visão
Saturday, July 16, 2005
Poema da Redescoberta
Aprendi que não basta aprender
A ler o escrito nas entrelinhas
E o não-escrito por trás delas.
Para que possamos descobrir
A Essência, que homens mórbidos
Insistem em tentar velar
(Retirar da linha de nossa visão)
É preciso que, de repente,
Desmorone o grande castelo
(Que posto fosse de areia,
Parecia extremamente sólido).
Não basta perceber que o rei está nu
E desmascarar o discurso do poder,
É preciso se perceber nu,
Sentir vergonha, medo, insegurança...
Largar todas as tábuas de salvação,
Abrir mão das certezas,
E replantar, talvez no cimento,
Tudo que era morando
E mofo se tornou.
Ainda que correndo o risco
De não sobreviver.
A ler o escrito nas entrelinhas
E o não-escrito por trás delas.
Para que possamos descobrir
A Essência, que homens mórbidos
Insistem em tentar velar
(Retirar da linha de nossa visão)
É preciso que, de repente,
Desmorone o grande castelo
(Que posto fosse de areia,
Parecia extremamente sólido).
Não basta perceber que o rei está nu
E desmascarar o discurso do poder,
É preciso se perceber nu,
Sentir vergonha, medo, insegurança...
Largar todas as tábuas de salvação,
Abrir mão das certezas,
E replantar, talvez no cimento,
Tudo que era morando
E mofo se tornou.
Ainda que correndo o risco
De não sobreviver.
Saturday, July 09, 2005
Lição
Aprendi a ler nas entrelinhas
(E por trás delas)
A cada novo esbarrão
Em um ponto final.
Mas não espere encontrar nas minhas
Palavras belas
Pois minha intenção
(Se me consente)
É pôr em sua mente
Um ponto de interrogação
- ou não?
(E por trás delas)
A cada novo esbarrão
Em um ponto final.
Mas não espere encontrar nas minhas
Palavras belas
Pois minha intenção
(Se me consente)
É pôr em sua mente
Um ponto de interrogação
- ou não?
Saturday, July 02, 2005
Menino, Comporte-se...
Comporte-se seriamente
Comporte-se de acordo com a moral
Comporte frustrações somente
Sê um débil mental.
Comporte-se de acordo com a moral
Comporte frustrações somente
Sê um débil mental.
Saturday, June 25, 2005
Há Um Poema Em Cada Gota de Sangue
Em tudo que você olha
Em tudo, tudo que você não vê
E tudo que você colhe,
E tudo que morre
E tudo que existe,
E aquilo que você imagina
E em cada segundo da vida há poesia,
Mas a pena se recusa a encher o papel...
Em tudo, tudo que você não vê
E tudo que você colhe,
E tudo que morre
E tudo que existe,
E aquilo que você imagina
E em cada segundo da vida há poesia,
Mas a pena se recusa a encher o papel...
Saturday, June 18, 2005
Tchau!
Quando ela foi embora
pensei em tudo,
menos em poesia: Tomei um porre!
E poetizei bêbado as ruas imundas,
Vomitando meu sentimento,
Como pichasse seu nome
nos muros da cidade,
abarrotados de propaganda política...
pensei em tudo,
menos em poesia: Tomei um porre!
E poetizei bêbado as ruas imundas,
Vomitando meu sentimento,
Como pichasse seu nome
nos muros da cidade,
abarrotados de propaganda política...
Saturday, June 11, 2005
POR UM DESESPERO AGRADÁVEL
Eu sou um ladrão de idéias
Como todo bom poeta
Feitor das palavras
Sádico como um chicote
Mudo como uma porta
Impublicável
Eu sou um louco
À procura da vida e do amor
À tua procura
À minha procura
Eu vivo
Eu sinto medo e quero a coragem
A coragem de um herói trágico
A coragem de ser humano
Eu vivo e sobrevivo
Um Napoleão absolutamente anônimo
Como todo bom poeta
Feitor das palavras
Sádico como um chicote
Mudo como uma porta
Impublicável
Eu sou um louco
À procura da vida e do amor
À tua procura
À minha procura
Eu vivo
Eu sinto medo e quero a coragem
A coragem de um herói trágico
A coragem de ser humano
Eu vivo e sobrevivo
Um Napoleão absolutamente anônimo
Saturday, June 04, 2005
Primeiro Poema Erótico
Essa mulher não é mulher,
É peixe, nadando ora contra a corrente
Ora a favor da maré
Essa mulher é misto de bicho carente
E mar que envolve a gente
Entre suas pernas de mulher
E pede um poema
E pede um soneto
E salta do aquário em busca do ar
Mas minha pena
Prefere à rigidez do soneto
O passeio safado
De um poeta tarado
Por suas formas morenas
Claras formas flexíveis
Do seu corpo de mulher
Essa mulher não é mulher,
É peixe...
É peixe, nadando ora contra a corrente
Ora a favor da maré
Essa mulher é misto de bicho carente
E mar que envolve a gente
Entre suas pernas de mulher
E pede um poema
E pede um soneto
E salta do aquário em busca do ar
Mas minha pena
Prefere à rigidez do soneto
O passeio safado
De um poeta tarado
Por suas formas morenas
Claras formas flexíveis
Do seu corpo de mulher
Essa mulher não é mulher,
É peixe...
Saturday, May 28, 2005
Prece
Agora olhe,
Não pra mim,
Se é que 'inda se lembra...
Olhe pra luz
Vulgarmente azulada
De todos os hotéis baratos
Da Praça da Bandeira
E vê que o meu amor, amor
Não valeu nada, não valeu a pena
Ainda que tenha sido infinitamente feliz
Em todas as luzes
Vulgarmente azuladas
De todos os hotéis baratos
De todas as praças da bandeira
E que meu coração ficou a ver navios
A esperar pelas barcas em Paquetá,
A apertar os olhos
Ao ver a escuridão passar,
A ejacular na cama às três da madrugada
E lembrar que o choro também seria uma forma de prazer
Ou vice-versa
Pra nunca mais esquecer
Não pra mim,
Se é que 'inda se lembra...
Olhe pra luz
Vulgarmente azulada
De todos os hotéis baratos
Da Praça da Bandeira
E vê que o meu amor, amor
Não valeu nada, não valeu a pena
Ainda que tenha sido infinitamente feliz
Em todas as luzes
Vulgarmente azuladas
De todos os hotéis baratos
De todas as praças da bandeira
E que meu coração ficou a ver navios
A esperar pelas barcas em Paquetá,
A apertar os olhos
Ao ver a escuridão passar,
A ejacular na cama às três da madrugada
E lembrar que o choro também seria uma forma de prazer
Ou vice-versa
Pra nunca mais esquecer
Saturday, May 21, 2005
AINDA AMOR EM VÃO
Por onde você anda,
menina de pele alva?
Pra onde mandar
meu coração te procurar?
Eu continuo confuso,
paradoxal e com olhos apertados,
só que perdi um braço,
não sei bem qual dos dois
Perdi também minha santa e rebelde
inocência
Fiquei mais canalha
pra me preservar
Mas quando a sombra negra
de tua pele alva
vem me visitar
eu não recobro as cores de antigamente,
pelo menos não a melhor delas...
Menina, eu te amo tão profundamente
que nem eu entendo bem
Só sei que ficou um buraco
no meu peito
Só sei que me sinto
vagamente culpado
E tenho uma impressão de nunca mais
na garganta
menina de pele alva?
Pra onde mandar
meu coração te procurar?
Eu continuo confuso,
paradoxal e com olhos apertados,
só que perdi um braço,
não sei bem qual dos dois
Perdi também minha santa e rebelde
inocência
Fiquei mais canalha
pra me preservar
Mas quando a sombra negra
de tua pele alva
vem me visitar
eu não recobro as cores de antigamente,
pelo menos não a melhor delas...
Menina, eu te amo tão profundamente
que nem eu entendo bem
Só sei que ficou um buraco
no meu peito
Só sei que me sinto
vagamente culpado
E tenho uma impressão de nunca mais
na garganta
Saturday, May 14, 2005
De Que Poeta Precisamos
Estou de saco cheio do poeta do significante
Técnica, técnica, técnica
Arte pela arte
Fôrma hipócrita, estrutura oca...
Poetas do significado existem aos montes
Enchendo o inferno
De boas intenções
E o ar de falta de poesia
Quero ser poeta de verdade
Louco visionário, profeta, artesão da luta
Retirando de cada gota de sangue ou suor
A poesia dos signos vivos
Técnica, técnica, técnica
Arte pela arte
Fôrma hipócrita, estrutura oca...
Poetas do significado existem aos montes
Enchendo o inferno
De boas intenções
E o ar de falta de poesia
Quero ser poeta de verdade
Louco visionário, profeta, artesão da luta
Retirando de cada gota de sangue ou suor
A poesia dos signos vivos
Saturday, May 07, 2005
Mais Uma Leve Como Leve Pluma Muito Leve Leve Pousa
Essa mulher é meu delírio
Uma doença, um vírus
Que apaga minha tela
E me deixa ver
Essa mulher é meu sonho freudiano
Mãe, amante e filhinha desamparada
A encher minha mente
De perversões
E se a vida me deu
A essa mulher
Não serei eu a contestar
Os desígnios desse anjo louco,
Torto e solto
Que escreveu a minha mão
Que venha a felicidade
Eu acho que agüento.
Uma doença, um vírus
Que apaga minha tela
E me deixa ver
Essa mulher é meu sonho freudiano
Mãe, amante e filhinha desamparada
A encher minha mente
De perversões
E se a vida me deu
A essa mulher
Não serei eu a contestar
Os desígnios desse anjo louco,
Torto e solto
Que escreveu a minha mão
Que venha a felicidade
Eu acho que agüento.
Saturday, April 30, 2005
Poema Doce
Doce menina sapeca,
Doce é teu nome,
Menina levada,
Doce de goiaba,
Doce lembrança
Dos tempos de infância
Soltos nas ruas,
Nos quintais suburbanos
Da casa de minha avó.
Doce é teu nome,
Agora mulher,
Mas com um sorriso maroto
No canto da boca.
Riso de menina
Que corre descalça,
Que brinca na rua,
Toma banho de rio
E rouba frutas diversas
Dos quintais alheios.
Doce é teu nome,
Levado, o sorriso,
Doce é a vida,
Vivo é o rio.
Doce é teu nome,
Menina levada,
Doce de goiaba,
Doce lembrança
Dos tempos de infância
Soltos nas ruas,
Nos quintais suburbanos
Da casa de minha avó.
Doce é teu nome,
Agora mulher,
Mas com um sorriso maroto
No canto da boca.
Riso de menina
Que corre descalça,
Que brinca na rua,
Toma banho de rio
E rouba frutas diversas
Dos quintais alheios.
Doce é teu nome,
Levado, o sorriso,
Doce é a vida,
Vivo é o rio.
Saturday, April 23, 2005
Cortes
Eu sou um aleijado
Asas, faltam-me asas
Alma, falta-me a alma
Eu sou um mutilado
Falta-me o sorriso de criança
Estirpado por algum bisturi
Eu ando apoiado em muletas
E tomo quilos de neosaldina
Pra aliviar a dor
Eu vivo como quem perdeu o coração
Ou, pelo menos, seus batimentos mais simples
Como quem faz hemodiálise
De lembranças...
Eu sou um aleijado
Sonhos, faltam-me os sonhos.
Asas, faltam-me asas
Alma, falta-me a alma
Eu sou um mutilado
Falta-me o sorriso de criança
Estirpado por algum bisturi
Eu ando apoiado em muletas
E tomo quilos de neosaldina
Pra aliviar a dor
Eu vivo como quem perdeu o coração
Ou, pelo menos, seus batimentos mais simples
Como quem faz hemodiálise
De lembranças...
Eu sou um aleijado
Sonhos, faltam-me os sonhos.
Saturday, April 16, 2005
A Torquato Neto
São três da madrugada
E meu coração vazio não vale, nunca valeu, nem
Nunca valerá nada
São três da madrugada, Torquato
E eu choro que nem uma boneca vagabunda,
Implorando um pouco de paz...
Um pouco de gás...
São três da madrugada
E ela nunca tomou nota
Do amor que guardei só pra ela
E que secou feito leite estragado
São três da madrugada, bicho
Eu já andei pra caralho
E tô tão cansado
Que cortaria um braço
Pra me sentir mais leve
São três da madrugada, Torquato
E eu rezo a você
Uma reza louca,
Descabelado, desgrenhado,
Babando sangue pelo canto da boca
São três da madrugada
Pobres de nós, Torquato
E meu coração vazio não vale, nunca valeu, nem
Nunca valerá nada
São três da madrugada, Torquato
E eu choro que nem uma boneca vagabunda,
Implorando um pouco de paz...
Um pouco de gás...
São três da madrugada
E ela nunca tomou nota
Do amor que guardei só pra ela
E que secou feito leite estragado
São três da madrugada, bicho
Eu já andei pra caralho
E tô tão cansado
Que cortaria um braço
Pra me sentir mais leve
São três da madrugada, Torquato
E eu rezo a você
Uma reza louca,
Descabelado, desgrenhado,
Babando sangue pelo canto da boca
São três da madrugada
Pobres de nós, Torquato
Saturday, April 09, 2005
La Vie En Rose
Meu deus, onde foi que deixei minha vida?
Parece ter sumido com meus brinquedos
Através do buraco negro por onde foi minha infância...
Talvez tenha escorrido dos meus olhos,
Rolado pelo meu rosto
E encharcado a fronha,
Junto com lágrimas de raiva da pré-adolescência...
Nas casas dos amigos
Cobertos pela poeira do tempo?
Onde foi que me perdi de mim?
Nos banheiros, desesperado, tentando me recompor
Para retornar à mesa e aos amigos?
Nas pontas atiradas pelas janelas
Dos carros nas estradas?
Nos copos de vodca?
No sexo? Nas drogas? No rock'n'roll?
Quando foi exatamente que minha vida se obscureceu?
Depois de que reunião? Em que aparelho?
Depois de qual beijo?
Em que sessão de psicanálise
Exorcizando amores fracassados?
Em que medo sentido?
Quando, diabos, deixei de existir
Para tornar-me esfinge de mim mesmo
E devorar-me
Autofagicamente?
Parece ter sumido com meus brinquedos
Através do buraco negro por onde foi minha infância...
Talvez tenha escorrido dos meus olhos,
Rolado pelo meu rosto
E encharcado a fronha,
Junto com lágrimas de raiva da pré-adolescência...
Nas casas dos amigos
Cobertos pela poeira do tempo?
Onde foi que me perdi de mim?
Nos banheiros, desesperado, tentando me recompor
Para retornar à mesa e aos amigos?
Nas pontas atiradas pelas janelas
Dos carros nas estradas?
Nos copos de vodca?
No sexo? Nas drogas? No rock'n'roll?
Quando foi exatamente que minha vida se obscureceu?
Depois de que reunião? Em que aparelho?
Depois de qual beijo?
Em que sessão de psicanálise
Exorcizando amores fracassados?
Em que medo sentido?
Quando, diabos, deixei de existir
Para tornar-me esfinge de mim mesmo
E devorar-me
Autofagicamente?
Saturday, April 02, 2005
Remendos do Dia
Queria devolver tua alma
E fingir que nada de teu ficou em mim
Nem esse cansaço de me saber covarde
Nem essa dor de me fazer algoz
Queria devolver tua alegria
E fugir, que nada de meu ficou em ti
Nem esses olhos que te sabem frágil
Nem essas asas que te cortam a carne
Mas o mundo me chama
E o mal está feito...
E nem mil remendos
Consertariam o dia estilhaçado
E fingir que nada de teu ficou em mim
Nem esse cansaço de me saber covarde
Nem essa dor de me fazer algoz
Queria devolver tua alegria
E fugir, que nada de meu ficou em ti
Nem esses olhos que te sabem frágil
Nem essas asas que te cortam a carne
Mas o mundo me chama
E o mal está feito...
E nem mil remendos
Consertariam o dia estilhaçado
Saturday, March 26, 2005
Sobre Poemas e Porres
Eu escrevo poemas
Como quem passa mal
Eu procuro seu rosto
Como quem busca a paz
Eu distorço a verdade
Como quem não a quer
Eu tomo porres homéricos
Como um ato de fé
Eu acredito em mentiras
Eu escrevo poemas
Como quem passa mal
Eu procuro seu rosto
Como quem busca a paz
Eu distorço a verdade
Como quem não a quer
Eu tomo porres homéricos
Como um ato de fé
Eu acredito em mentiras
Eu escrevo poemas
Saturday, March 19, 2005
Muros & Pontes
Muros e pontes criamos
Enquantos esperamos
Muros e pontes grafamos
Enquanto passamos
Muros e pontes...
Estranhas construções!
Estranho que só possa pensá-las
Como lados da mesma moeda
Como partes da mesma espera
Muros e pontes vivemos
Enquanto o dia não vem
Enquantos esperamos
Muros e pontes grafamos
Enquanto passamos
Muros e pontes...
Estranhas construções!
Estranho que só possa pensá-las
Como lados da mesma moeda
Como partes da mesma espera
Muros e pontes vivemos
Enquanto o dia não vem
Saturday, March 12, 2005
Crepúsculos
Entre o real e o possível,
Plenos de sangue,
Lindos sonhos tivemos
Entre a viagem e a guerra,
Prenhes de sentidos,
Longas metáforas vivemos
Entre o desejo e a boca
Um novo tempo estranho
Agora me paraliza
Entre pálpebras e vigília
Uma alma provisória
Inquieta adormece
Plenos de sangue,
Lindos sonhos tivemos
Entre a viagem e a guerra,
Prenhes de sentidos,
Longas metáforas vivemos
Entre o desejo e a boca
Um novo tempo estranho
Agora me paraliza
Entre pálpebras e vigília
Uma alma provisória
Inquieta adormece
Saturday, March 05, 2005
Todas as Horas
Eu te amo assim hesitante
Cauteloso
Como quem devesse um dia odiar
Eu te odeio assim hesitante
Receoso
De que um dia devesse te amar
Eu vivo assim hesitante
Temeroso
De que cada esquina esconda o final
Hesitante...
Como quem devesse viver
O amor, o ódio
E as paixões de todas as horas
Comedidamente
Cauteloso
Como quem devesse um dia odiar
Eu te odeio assim hesitante
Receoso
De que um dia devesse te amar
Eu vivo assim hesitante
Temeroso
De que cada esquina esconda o final
Hesitante...
Como quem devesse viver
O amor, o ódio
E as paixões de todas as horas
Comedidamente
Saturday, February 26, 2005
Daqui
Eu escrevo o meu quintal
Minha curva e incerteza
Eu canto o meu amor
Beijos antiframboesa
Eu traço meu rabisco
Nos espinhos desse muro
Eu grafo e solto o grito
Das costas das troças do mundo
Minha curva e incerteza
Eu canto o meu amor
Beijos antiframboesa
Eu traço meu rabisco
Nos espinhos desse muro
Eu grafo e solto o grito
Das costas das troças do mundo
Saturday, February 19, 2005
Concêntricos
Menina, eu odeio acrósticos
E nomes
E tudo aquilo que personalize
O que deve apenas partir do pessoal
E, ainda assim, te amo...
E, no entanto,
Apesar de tanto te amar,
Meu amor por ti não importa
Mais que o amor simplesmente
E nem o teu olhar,
Que tanto me cativa,
É importante em si
Senão pelo que revela
Do gênero humano
E tu és apenas o centro de ti
E eu, apenas o centro de mim
E quanto a escrever poemas
Mais valem os múltiplos olhares
Que possas me emprestar
E nomes
E tudo aquilo que personalize
O que deve apenas partir do pessoal
E, ainda assim, te amo...
E, no entanto,
Apesar de tanto te amar,
Meu amor por ti não importa
Mais que o amor simplesmente
E nem o teu olhar,
Que tanto me cativa,
É importante em si
Senão pelo que revela
Do gênero humano
E tu és apenas o centro de ti
E eu, apenas o centro de mim
E quanto a escrever poemas
Mais valem os múltiplos olhares
Que possas me emprestar
Saturday, February 12, 2005
Riscos & Possibilidades (Dias Perigosos)
[Parris], like the rest of Salem, never conceived that the children were anything but thankful for being permitted to walk straight, eyes slightly lowered, arms at the sides, and mouths shut until bidden to speak.
(Arthur Miller - The Crucible)
A vida é um risco, menino
E você pode falar o que pensa
Desde que todos concordem
+
Nestes dias perigosos
Não há espaço para a poesia
E a sinceridade deve ficar bem escondida
Atrás de lisonjas e sorrisos
+
Menino, comporte-se
Divergir pra quê?
Decore o script
E depois conversamos
+
Amenidades, por favor
Que a palavra agora
Tem uma estranha função
+
Sim, são dias perigosos
Por mais que se diga o contrário...
+
Mas você pode dizer o que quiser
Desde que não seja o que pensa
Desde que seja mais uma voz
No coro da indiferença
+
Ainda que o silêncio pese uma tonelada...
Saturday, February 05, 2005
Danças
Musicais da Broadway
me dão enjôos
Os passos que amo
não são marcados
nem precisam de coro
ao fundo
Os passos que amo
são movimentos espontâneos
de uma dança epiléptica
livre e insegura
Bonecos de mamulengo
que balançam
e tantas vezes caem
Equilibristas bêbados
de uma vida
sem ordem unida
Beijos, tropeços e quedas
Encontros
de corpos indisciplinados
que espontaneamente
se fundem
e movem-se atabalhoados
emprestando beleza
a estranhos espasmos
descoreografados
me dão enjôos
Os passos que amo
não são marcados
nem precisam de coro
ao fundo
Os passos que amo
são movimentos espontâneos
de uma dança epiléptica
livre e insegura
Bonecos de mamulengo
que balançam
e tantas vezes caem
Equilibristas bêbados
de uma vida
sem ordem unida
Beijos, tropeços e quedas
Encontros
de corpos indisciplinados
que espontaneamente
se fundem
e movem-se atabalhoados
emprestando beleza
a estranhos espasmos
descoreografados
Saturday, January 29, 2005
Canção Desconfiada
Desconfie de certezas
Nada é
Nem se parece
E tudo que é sórdido
Se esconde no ar
Desconfie de fronteiras
A areia não termina
Onde começa a água
E eu não termino
Onde você começa
Se você me faz
E desconfie de quem ama
Não porque não ame
Mas porque amar
É perigosamente
Diluir as bordas
De certezas e fronteiras
Mas sobretudo desconfie de poetas desconfiados
Que desconfiam de tudo
Até mesmo de versinhos
Romanticamente sorridentes
E de poemas incertos
Que amam desfronteiras
Nada é
Nem se parece
E tudo que é sórdido
Se esconde no ar
Desconfie de fronteiras
A areia não termina
Onde começa a água
E eu não termino
Onde você começa
Se você me faz
E desconfie de quem ama
Não porque não ame
Mas porque amar
É perigosamente
Diluir as bordas
De certezas e fronteiras
Mas sobretudo desconfie de poetas desconfiados
Que desconfiam de tudo
Até mesmo de versinhos
Romanticamente sorridentes
E de poemas incertos
Que amam desfronteiras
Saturday, January 22, 2005
Múltiplos
Quero-te
Simples
Como quem ama
Quero-te
Múltipla
Como és
E estilhaçado
Como sou
Quero-te
Inteira
Pela metade
E com a melhor face
Que te dou
Quero te dar
Todos meus amores
Quero provar
Todos teus sabores
Exclusivos somos
Do mundo que somos
E dos outros
Que nos fazem
Seus construtores
Quero-te leve
E dou-me mosaico
Do mundo que somos
Do mundo que somos
Somos daqueles
Que assim desejaram
Nos reinventar
E conjugamos
De múltiplas formas
Novas e leves
Uma estranha essência
Sempre um tanto avessa
A se cristalizar
Simples
Como quem ama
Quero-te
Múltipla
Como és
E estilhaçado
Como sou
Quero-te
Inteira
Pela metade
E com a melhor face
Que te dou
Quero te dar
Todos meus amores
Quero provar
Todos teus sabores
Exclusivos somos
Do mundo que somos
E dos outros
Que nos fazem
Seus construtores
Quero-te leve
E dou-me mosaico
Do mundo que somos
Do mundo que somos
Somos daqueles
Que assim desejaram
Nos reinventar
E conjugamos
De múltiplas formas
Novas e leves
Uma estranha essência
Sempre um tanto avessa
A se cristalizar
Saturday, January 15, 2005
Poema Incerto
Certos poemas
São polígonos
Outros
Linhas poligonais
Abertas
Certos poemas...
Em certos poemas
Encerro o óbvio enigma
Incertos poemas
Tão óbvios
Quanto a alma
Do poeta
Tão enigmáticos
Quanto
Seus segredos...
O resto é prosa
São polígonos
Outros
Linhas poligonais
Abertas
Certos poemas...
Em certos poemas
Encerro o óbvio enigma
Incertos poemas
Tão óbvios
Quanto a alma
Do poeta
Tão enigmáticos
Quanto
Seus segredos...
O resto é prosa
Saturday, January 08, 2005
Inventário em Preto e Branco
Tenho um pequeno caderno vermelho
Onde guardo pequenas gotas do que fui
Trago um olhar azul de cachorro
Triste e um tanto melancólico
Que às vezes vira um sorriso castanho de filhote
Possuo quartos brancos numerados
Onde és bem vinda a qualquer hora
E gavetas grafite bem trancadas
Em que acumulo dores incolores
E cultivo almas transparentes
Onde guardo pequenas gotas do que fui
Trago um olhar azul de cachorro
Triste e um tanto melancólico
Que às vezes vira um sorriso castanho de filhote
Possuo quartos brancos numerados
Onde és bem vinda a qualquer hora
E gavetas grafite bem trancadas
Em que acumulo dores incolores
E cultivo almas transparentes
Saturday, January 01, 2005
Poesia Residual
Não consigo escrever poemas
Sem ser exagerado
A hipérbole é minha terra
A paixão, meu arado
Me surpreendo, de repente,
Compondo versos rimados
Como quem respira sofregamente
A alma do inusitado
Eu escrevo como quem vive
Eu vivo como quem morre
(Desejo a todos os amigos do Poesia Residual um feliz 2005 e peço que mandem seus melhores pensamentos a Luiz Otávio Lopes, amigo de infância e irmão de alma e poesia que sofreu um derrame neste Natal. Que sejamos também solidários ao povo asiático, que não merecia a tragédia que está vivendo neste momento.)
Sem ser exagerado
A hipérbole é minha terra
A paixão, meu arado
Me surpreendo, de repente,
Compondo versos rimados
Como quem respira sofregamente
A alma do inusitado
Eu escrevo como quem vive
Eu vivo como quem morre
(Desejo a todos os amigos do Poesia Residual um feliz 2005 e peço que mandem seus melhores pensamentos a Luiz Otávio Lopes, amigo de infância e irmão de alma e poesia que sofreu um derrame neste Natal. Que sejamos também solidários ao povo asiático, que não merecia a tragédia que está vivendo neste momento.)
Saturday, December 25, 2004
Em Terra de Cego
A minha visão das coisas
É irremediavelmente tortuosa
Defeituosa
Desviante crônica
Minha lente sem foco
Oscila sempre
Irremediavelmente
Entre o querer ser e o dever ser
E ainda assim me julgam poeta
Só por escrever versinhos sorridentes
Incompreensíveis para uns
Irrelevantes para outros
Minha face monstruosa
Não é de poeta
É monstruosa apenas
E a dor de minh'alma
Não é dor de artista
É dor de alma pequena
É irremediavelmente tortuosa
Defeituosa
Desviante crônica
Minha lente sem foco
Oscila sempre
Irremediavelmente
Entre o querer ser e o dever ser
E ainda assim me julgam poeta
Só por escrever versinhos sorridentes
Incompreensíveis para uns
Irrelevantes para outros
Minha face monstruosa
Não é de poeta
É monstruosa apenas
E a dor de minh'alma
Não é dor de artista
É dor de alma pequena
Saturday, December 18, 2004
Reflexivo
Fotos experimentais:
Registros desfocados
De momentos
do processo.
Buscas existenciais
Que nos buscam
Quando menos
esperamos.
Revelações,
sentidos e possibilidades
A câmera diante do espelho...
O homem no espelho não está só.
(Dica: Àqueles que começaram a visitar o blog apenas recentemente, sugiro clicar nos meses anteriores, que se encontram na seção Archives, para que possam conhecer os poemas que foram publicados anteriormente.)
Registros desfocados
De momentos
do processo.
Buscas existenciais
Que nos buscam
Quando menos
esperamos.
Revelações,
sentidos e possibilidades
A câmera diante do espelho...
O homem no espelho não está só.
(Dica: Àqueles que começaram a visitar o blog apenas recentemente, sugiro clicar nos meses anteriores, que se encontram na seção Archives, para que possam conhecer os poemas que foram publicados anteriormente.)
Saturday, December 11, 2004
Ao Coração da Cidade
Simples cidade
Triste cidade
Simples e triste
Bela cidade
Decadente
Em seu coração
Que não fica à mostra
Nem canta o carnaval
Simplesmente urbana
Como teu sorriso
Branco e simples
Cidade triste
Infinitamente bela
Em seu coração
Que não canta o carnaval
Nem fica à mostra
Simplesmente urbana
Decadente
Cidade triste
Em seu coração
Infinitamente belo
Triste cidade
Simples e triste
Bela cidade
Decadente
Em seu coração
Que não fica à mostra
Nem canta o carnaval
Simplesmente urbana
Como teu sorriso
Branco e simples
Cidade triste
Infinitamente bela
Em seu coração
Que não canta o carnaval
Nem fica à mostra
Simplesmente urbana
Decadente
Cidade triste
Em seu coração
Infinitamente belo
Saturday, December 04, 2004
Tantas Vezes
Às vezes deus me abandona
Ou vice-versa
Não sei bem
Às vezes sou crucificado
Morto e sepultado
E não ressuscito ao terceiro dia
Às vezes eu prendo a corda a uma árvore
E meu corpo brinca de balançar
Preso pelo pescoço
Às vezes eu desço ao hades
E não encontro nada
Às vezes sou eu
Outras só vida normal
Ou vice-versa
Não sei bem
Às vezes sou crucificado
Morto e sepultado
E não ressuscito ao terceiro dia
Às vezes eu prendo a corda a uma árvore
E meu corpo brinca de balançar
Preso pelo pescoço
Às vezes eu desço ao hades
E não encontro nada
Às vezes sou eu
Outras só vida normal
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